O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, disse ao EMPREENDER EM GOIÁS que o setor produtivo não suporta ficar nem mais uma semana com as portas fechadas e reclama da falta de planejamento por parte do Governo, que não sinaliza sobre a possibilidade de reabertura das indústrias e do comércio, fechadas desde o último dia 17 de março, quando se propagou o novo coronavírus em Goiás e no Brasil.

Mabel defende a abertura gradual e de forma responsável das indústrias e do comércio, resguardando os trabalhadores dos grupos de riscos e a prorrogação do reinício das aulas, como forma de se evitar uma recessão econômica ainda maior do que a sinalizada no momento, e o caos social pela falta de emprego e renda das pessoas.

Qual a avaliação da Fieg sobre as medidas para conter o novom coronovírus em Goiás?
Neste primeiro momento, os governos federal, estaduais e municipais tomaram as medidas acertadas para conter o avanço da pandemia da Covid-19. Porém, a situação já preocupa o setor empresarial como um todo. A falta de planejamento para a retomada da economia é preocupante. Os governos não sinalizam nada aos empresários e à população. Hoje já é dia 31 de março e muitas empresas, temendo o futuro, já estão demitindo trabalhadores. Estamos sem um rumo, sem uma luz no fim do túnel. É preciso dar esperança às pessoas.

Diante deste quadro, qual é a proposta da Fieg para a retomada das atividades da indústria e do comércio em Goiás?
As entidades de classe do setor produtivo goiano investiram pesado na criação de uma plataforma para ajudar o Governo na retomada da economia, de forma responsável, abrindo gradativamente as empresas, de acordo com a necessidade de cada município. Porém, nossas sugestões não foram acatadas até agora. Esta plataforma não está sendo usada. Se uma indústria ou comércio de alimentação ou de medicamento podem abrir, tomando todas as precauções para preservar a saúde dos trabalhadores e dos consumidores, porque as outras empresas de demais setores não podem fazer o mesmo?

Mas como isto seria feito?
As empresas teriam a responsabilidade de manter afastado dos ambientes de trabalho aquelas pessoas que estão nos grupos de riscos. Aqueles que puderem fazer o trabalho de casa o fariam. Já aqueles também do grupo de risco, que não têm a possibilidade ficariam em casa em isolamento, mas todos com o direito de receber o salário mensal.

Com esta falta de sinalização do governo estadual a respeito de quando voltará a normalidade a atividade produtiva, como fica a economia?
Diante da falta de planejamento do governo a situação econômica só tende a piorar. As empresas não suportam ficar paradas mais nenhuma semana. Muitas delas vão fechar suas portas, demitir trabalhadores e aprofundar mais a recessão econômica. Os trabalhadores, por sua vez, sobretudo os autônomos, também estão em desespero. A maioria já não tem dinheiro para comprar o básico da alimentação para suas famílias. Tememos que venha ocorrer uma calamidade social, com pessoas com depressão, suicídios e aumento da criminalidade.

Quais são as propostas da Fieg para a retomada da economia neste momento de pandemia?
Concordamos com o presidente Jair Bolsonaro. A economia não pode parar. É preciso de um bloqueio vertical. As pessoas do grupo de risco ficam em casa, em home-office. O governo deveria permitir as empresas abrirem, gradativamente, de forma responsável, dentro da plataforma sugerida pelas entidades de classe do setor produtivo. Acho que mesmo se o governador de Goiás permitir a retomada do setor produtivo, a partir do dia 5 de abril, quando expira a validade do decreto, muitas pessoas permanecerão em casa. Portanto, os riscos de contaminação com o vírus ainda será muito baixo. E a economia goiana voltaria a girar e o governo também ia arrecadar tributos para bancar suas despesas com custos operacionais, folha de pagamento de servidores e até investimentos.


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