Rubens Fileti: “O crédito está muito burocrático. É o momento de apoiar o setor empresarial. Existem medidas que não são tão efetivas”

A falta de receita para quitar despesas e a folha de pessoal, diante da quarentena em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus,deve levar a demissões no comércio, indústria e setor de serviços goianos. A conclusão é da primeira Sondagem Empresarial Covid-19, divulgada nesta sexta-feira, 27, pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg). Segundo o levantamento, 78% disseram que há chance de demitir funcionários por causa dos efeitos da crise de saúde na economia, ainda que 73,9% deles afirmem que ainda não desligaram ninguém.

A sondagem revela que 77% dos empresários disseram que não conseguirão manter seus negócios caso tenham de manter as portas fechadas por mais de quatro semanas. Conforme a pesquisa, 15% disseram que fecharão as empresas após uma semana fechada, 29% após duas semanas, 12% após três semanas e 21%, após um mês. Os comerciantes são os mais vulneráveis: 88,9% deles acreditam que terão de encerrar as atividades caso a quarentena avance por mais de quatro semanas. Essa percepção é de 81,8% na indústria e de 65,5% dos empresários do setor de serviços.

Diante desse horizonte, 88,9% dos comerciantes acreditam que terão de demitir nos próximos meses. O índice é de 78,3% no setor de serviços e de 63,6% na indústria. Para o presidente da Acieg, Rubens Fileti, o comércio sente mais rapidamente os efeitos da crise econômica porque tem mais dificuldade de crédito e custos imediatos. “O comércio está muito pessimista”, diz.

Porém, todos os segmentos acreditam que sentirão os reflexos em futuro próximo. “No setor de serviços, por exemplo, começa a ficar preocupante o número de distratos, o cancelamento de contratos que estavam assinados, alguns previstos para os próximos 12 meses”, cita. A indústria, por outro lado, tem um custo fixo programado, o que a torna mais resiliente, mesmo que não imune.

“No geral, [a preocupação com] a folha de pagamento vem forte nos três segmentos. Sem receita, tem de correr para banco, mas há burocracia na liberação de crédito. O governo estadual está fazendo sua parte, mas é preciso destravar [o crédito]”, diz Fileti.

Perspectivas frustradas

Segundo o presidente da Acieg, a crise de saúde pegou o setor produtivo em um momento de otimismo. A sondagem revela que 94% dos empresários apostavam em um crescimento este ano – 56% deles projetavam mais de 10%. Com a pandemia e, consequentemente, a interrupção das atividades, o humor mudou. Agora, apenas 16% acham que vão crescer em 2020, enquanto 63% dizem que vão encolher – 35% acreditam que a queda nos negócios vai ser maior que 10%. Fileti diz que, mesmo diante do impacto econômico, a maior parte do empresariado apoia as medidas sanitárias impostas pelo governador Ronaldo Caiado.

Ele critica, inclusive, a movimentação de grupos contra a quarentena, que vem ganhando força nos últimos dias. “Não vamos apoiar a desordem. Em hipótese alguma vamos apoiar esse tipo de manifestação. Não é uma questão de bandeira partidária. Nossos técnicos entenderam que é o melhor que pode ser feito nesse momento para diminuir os índices de infecção em Goiás”, afirma.

No entanto, ele cobra que as ações governamentais para recuperar as empresas sejam ágeis e efetivas. “O crédito está muito burocrático. É o momento de apoiar o setor empresarial. Existem medidas que não são tão efetivas. Estamos em interlocução com qualquer nível de governo, para que as ações sejam entregues de forma muito mais rápidas”, diz.

Fileti afirma que as reivindicações dos empresários junto aos governos são de desburocratização da concessão de crédito, com juros menores, renegociação de impostos e fiscalização dos preços de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que, segundo ele, chegaram a ter aumento de 4.000%. “Sabemos das dificuldades dos governos estaduais e municipais. Mas é preciso encontrar um meio termo [na questão tributária].A preocupação com o fechamento de empresas é real”, frisa.


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