Para o Ministério da Economia, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano será zero. Ou, mais exatamente, 0,02%. Frente aos avanços dos efeitos do novo coronavírus sobre a economia, esta é a nova projeção oficial do governo federal para 2020. Na semana passada, a estimativa havia caído de 2,4% para 2,1%. Ou seja: com a potencial propagação do coronavírus no País e as medidas cada vez mais restritivas sobre aglomeração e fluxo de pessoas, as próximas estimativas já podem indicar para um quadro de recessão econômica.

O Ministério revisou também sua projeção para o IPCA acumulado em 2020 de 3,12% na semana passada para 3,05%. Para o INPC acumulado, a estimativa foi de 3,28% para 3,19% e, para o IGP-DI, de 3,66% para 3,62%. Para o dólar, a projeção para o fim do ano passou de R$ 4,20 para R$ 4,35. Para a Taxa Over Selic ao fim do ano, foi de 4,15% ao ano para 3,65%. A estimativa para o preço médio do petróleo brent neste ano caiu de US$ 52,70 para US$ 41,87 no período.

As informações constam do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, divulgado pelo Ministério da Economia. Com base no cenário já defasado, que projetava crescimento de 2,1% para este ano, o governo estimava necessidade de contingenciamento de R$ 37,5 bilhões do Orçamento de 2020.

As receitas primárias totais estimadas para o ano haviam sido cortadas de R$ 1,644 trilhão para R$ 1,611 trilhão. Líquidas de transferências, as receitas ficariam em R$ 1,324 trilhão ante R$ 1,355 trilhão da lei aprovada pelo Congresso. A projeção de despesas primárias subiria de R$ 1,479 trilhão para R$ 1,485 trilhão. A projeção de déficit primário ficaria em R$ 161,6 bilhões, ante uma meta de R$ 124,1 bilhões.

A publicação do relatório bimestral com esses dados cumpre uma formalidade da legislação brasileira. Mas os números refletem um cenário do primeiro bimestre, que não existe mais. Primeiro, porque, em uma nova grade de parâmetros, também divulgada hoje e fechada com base em números até 19 de março, a projeção de crescimento do PIB foi revista. Segundo, porque o Congresso aprovou o estado de calamidade, o que dispensa o governo de cumprir a meta fiscal. Assim, não será mais necessário contingenciar gastos.


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