Sandro Mabel (Fieg) e Edilson Borges (Sindroupas) na reunião para estruturar o Goiás Fashion Bureau e a Câmara da Moda (crédito: Alex Malheiros)

Com a capacidade de gerar empregos, movimentar hotéis, o turismo de compras e concentrar produção em polos específicos pelo interior de Goiás, a indústria da moda no Estado apresenta falta de estrutura e organização para crescer com mais arrojo. É de olho no potencial desse setor, que em meio à crise econômica cresce a uma média de 6% ao ano, e também às carências estruturais e de produção, que entidades empresariais unem esforços e estruturam o Goiás Fashion Bureau e a Câmara da Moda.

A iniciativa é uma parceria da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) com a Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), Banco do Brasil e Secretaria de Estado de Indústria e Comércio (SIC).

“O Bureau foi criado para organizar a indústria da moda, aglutinando profissionais e empresários do setor com objetivo de apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva da moda e fortalecer a sustentabilidade”, diz o presidente do Sinroupas, Edilson Borges. Ele considera que, mesmo em meio ao crescimento de 6% ao ano, a informalidade na atividade a principal causa do não desenvolvimento do segmento. “O Bureau vai atuar na reversão deste quadro, de modo a ser contínua essa melhoria”.

Acrescenta a coordenadora da Câmara da Moda, Denise Resende, que toda a iniciativa da Fieg e parceiros visa o fortalecimento da indústria existente dando robustez e ampliando fronteiras. “É um setor promissor, mas sua cadeia produtiva apresenta fragilidades”. Ela se refere, por exemplo, à inexistência de outras indústrias fornecedoras de serviços e matérias-primas.

O principal ponto concentrador da moda em Goiás, que recebe e atrai compradores de distintas localidades municipais, e mesmo de outros Estados, a Região da 44 em Goiânia, expressa nas suas veias o desenvolvimento da indústria da moda. Segundo o presidente da Associação Empresarial da 44, Jairo Gomes, a iniciativa da Fieg é bem-vinda e, “certamente alcançará seus propósitos, ao induzir a organização do setor, criar condições de aprendizado, capacitação, ações e estratégias que levarão Goiás a patamares mais elevados de produção e gestão”. Jairo Gomes salienta que em meio às lojas existentes na região (12.760) e na geração de 160 mil empregos diretos, o ponto receberá neste ano, mais três novos empreendimentos – os outlets Centro-Oeste e Altas Horas e a expansão do Shopping Imperial.

Esse bilionário mercado de vestuário, acessórios, calçados e cosméticos que ao sustentar crescimento em meio à crise, e apresentar potencial de levar o estado ao 1º lugar de produção de moda no Brasil, deixa visível os nós que impedem seu fortalecimento. “São nos gargalos que o Fashion Bureau e a Câmara da Moda exercerão seus papéis e funções de articuladores”, destaca o presidente da Fieg, Sandro Mabel.

Explica ele, que para um setor que se organizou aqui na capital e no Estado é merecedor de projetos que defendam e criem incentivos para amparar os industriais, comerciantes e trabalhadores. “Então, ampliar a competitividade das empresas nos segmentos industrial e comercial e avaliar ambientes econômicos e mercadológicos que envolvem o setor, é nossa preocupação”, frisa.

Levantamento da Fieg mostra que o setor da moda movimenta, em média, US$ 35 trilhões em vendas/ano no mundo, sendo que a Ásia concentra 70% da produção têxtil e 65% da produção de vestuário. A participação do Brasil nesse mercado é de 2,4%, ocupando a 5ª posição no ranking mundial de têxteis e 4º lugar em produtos de vestuário. A China liderar o setor, concentrando 50% de tudo o que é produzido. No Brasil, a moda movimenta R$ 187 bilhões/ano, com 62 mil indústrias e mais de 1 milhão de funcionários.


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