O Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central decidiu ontem (05/02), por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 4,25% ao ano que deve ser mantida neste patamar até dezembro. O Comitê avaliou que essa decisão reflete seu cenário básico e o balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, com peso crescente, o de 2021. Reiterou ainda que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

A atualização do cenário básico do Copom indica que a atividade econômica brasileira mantém seu processo de recuperação e no cenário externo, apesar do recente aumento de incerteza, o “caráter acomodatício” da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes.

O Copom avaliou que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis compatíveis com o cumprimento da meta. As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente. Esse cenário supõe trajetória de juros encerrará o ano em 4,25%.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco. Por um lado, o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, pode elevar a trajetória da inflação acima do esperado no horizonte relevante para a política monetária.

O risco se intensifica no caso de aumento da potência da política monetária decorrente das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais, deterioração do cenário externo para economias emergentes ou eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

O Copom enfatizou que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressaltou ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

O Copom entendeu que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021.


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