Beatriz Barreto: “Buscamos a interação humana com as crianças que aceitam isso como algo feliz e agradável”

Certamente, em cada bairro de Goiânia existem muitos salões de beleza. Mas o espírito empreendedor e a paixão por crianças levaram a uma inovação já no início da década de 80. Beatriz Barreto Tanezini, 63 anos, é exemplo desta inovação e se destaca no ramo da beleza como modelo de estrutura e atendimento único no Brasil. Ela é fundadora do Pirralhos, um salão de cabeleireiros voltado especificamente para o público infantil, pioneiro no Brasil. A proposta do negócio é deixar a ida ao cabeleireiro, que pode ser complicada para as crianças, em uma experiência lúdica, agradável e respeitosa.

O sucesso acompanha o negócio desde a fundação em 1983, quando a empresária começou a trabalhar na Avenida Mutirão, depois no Paladium Center (onde ficou por 25 anos), passando por uma casa no setor Bueno e, hoje, no Goiânia Shopping e Alpha Mall. Agora, já com o modelo de franquia estruturado, Beatriz Barreto analisa 30 propostas de candidatos a franqueados de Palmas, Brasília, Campinas (SP), Recife e Manaus. “Penso que em Goiás tem espaço para o Pirralhos, como Anápolis e Rio Verde”, avalia. A franquia tem um custo de investimento a partir de R$ 120 mil.

A empreendedora diz que o modelo do salão está definido e para ser um franqueado é preciso atender a critérios como: pensar na proteção da criança, respeitá-la e gostar de trabalhar com este público. Mas, segundo Beatriz, essa expansão acontecerá lentamente. A razão é a escolha dos interessados, que precisa ser feita de forma cuidadosa. “Não é qualquer um que atende aos critérios de modo a garantir a metodologia e técnicas desenvolvidas, sobretudo o respeito humano”, frisa.

O salão também comercializa roupas de banho com proteção solar da marca UV Line. Os biquínis, maiôs e sungas remetem aos super-heróis preferidos pela criança, compondo a magia e o lúdico.

Tratamento humanizado
O diferencial do Pirralhos começa na ambientação, onde cores, brinquedos e cadeiras especiais acomodam os pequenos. Enquanto o corte é realizado por uma equipe treinada pela própria empresária, as crianças se divertem com histórias e um tratamento humanizado que prioriza o diálogo e atenção às crianças. “Aqui evitamos celulares e outros recursos tecnológicos neste momento. Buscamos a interação humana com as crianças que aceitam isso como algo feliz e agradável”, explica a empresária.

A diversão segue até o final do trabalho, com a “vassourinha maluca”, alternativa criada por Beatriz para brincar com a criança. Trata-se do emprego de uma escovinha para limpar os pequenos fios de cabelo que caem no ombro. “Ali vou cantando a música da vassoura maluca que limpa e faz cócegas”. Segundo ela, o público infantil e os pais aprovam os recursos empregados que deixam as crianças livres e seguras.

O salão utiliza somente produtos voltados à criança e, em conformidade com legislação vigente. “Não empregamos nem fazemos processos químicos. Apenas corte, hidratação, lavagem”, diz ao comentar que oferece algo de maquiagem, “mas são produtos delicados à base de água, que busco fora do País”.

Para Beatriz, a criança precisa e merece ser criança. “Nada de “adultizar” os pequenos, antecipando sua aparência ao mundo adulto”, completa, ao enfatizar que é essa não é a proposta do Pirralhos. De acordo com ela, são empregadas tesouras pequenas, leves e de lâmina fina, pentes sem cabo. Na unidade do Goiânia Shopping, onde está há um ano, ela conta com seis profissionais levando o salão a realizar de 1.500 a 1.800 cortes por mês. “O tempo médio do corte chega a vinte minutos.

Ela conta que sua técnica é fazer a pegada certa do cabelo de forma a deixar a criança livre e com movimentos. “Ao longo dos anos eu mesma desenvolvi minha técnica que hoje repasso a outros interessados. Não retenho conhecimento”, esclarece, ao expor gratidão ao dom da observação que tem. A empresária também faz ações sociais. Uma vez por ano, geralmente em outubro, ela e sua equipe se reúnem para cortar cabelos de crianças em creches, CMEI´s e escolas. “Tudo é realizado com o mesmo amor e atenção”.

O sucesso de Beatriz Barreto Tanezini não é acaso. Movida por seu empreendedorismo desde a infância inquieta e sadia, no sentido de criar coisas, ela conta que colhia frutas na chácara do pai e vendia para os vizinhos para custear um cinema. Além disso, lavava carros da vizinhança e fazia teatro na garagem da casa cobrando. Depois de ser mãe, ela cortava os cabelos dos filhos sempre observando o quão difícil era lidar com a criança nessa hora. A ideia do Pirralhos, começou a surgir daí, de uma necessidade. Sentiu que poderia ser um bom negócio, pois o amor à criança ela já carregava.


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