Fernando Matarazzo, da Mitsubishi: “Temos de trabalhar para que a fábrica em Catalão volte ser competitiva, para aumentar sua produção e vendas”

A montadora de veículo Mitsubishi deve encerrar este ano com a produção de 28 mil veículos. É apenas um quarto de sua capacidade instalada, de 120 mil unidades por ano, e menos da metade do que chegou a produzir até o início desta década. As informações são de sindicatos representantes dos trabalhadores do setor automotivo goiano e foram repassados durante o seminário Movimento em Defesa ao Desenvolvimento e Emprego, na noite desta quinta-feira (31/10) no auditório da Associação Comercial e Industrial de Catalão (ACIC), realizado por 28 entidades que reuniu mais de 150 empresários, trabalhadores, vereadores, secretários municipais e o prefeito Adib Elias.

De acordo com o Simecat, a montadora instalada em Catalão desde 1998 vem enfrentando momentos difíceis há tempos por conta da crise econômica no País e a insegurança jurídica para efetivar novos investimentos na fábrica em Goiás. Em outubro a produção teria caído cerca de 30%. O presidente do sindicato, Carlos Albino, frisou que um Estado não avança sem investir na indústria. “O governo estadual já retirou R$ 7 milhões por mês em incentivos para a Mitsubishi, que precisa voltar a ser competitiva”, enfatizou.

Dirigente da Força Sindical em Goiás, Rodrigo Carvelo disse que dos 4 mil funcionários que a empresa já teve em Catalão, hoje tem a metade. “Sem o incentivo fiscal corremos risco deste número ser menor ainda. Vamos brigar muito pela permanência da indústria na nossa cidade”, afirmou. Carvelo lembrou que a Mitsubishi chegou a anunciar há um ano investimentos de R$ 300 milhões para a fábrica em Catalão, especialmente para produzir o novo SUV Eclipse Cross. “Nada foi investido ainda e a montadora, diante da insegurança com o mercado e de investir em Goiás, tem mantido a importação de maior parte dos veículos que já deveriam estar em produção no Estado”, frisou.

O diretor comercial da Mitsubishi no Brasil, Fernando Matarazzo, explicou que as montadoras de veículos enfrentam dificuldades de mercado e, embora sejam competitivas, precisam reduzir custos. “Hoje, qualquer diferença leva o consumidor a trocar a marca. Eventualmente, essas mudanças (de custos) dificultam investimento, aumentam o custo de produção e o nosso produto fica mais caro. Fica mais difícil competir e investir. Temos de trabalhar para que a fábrica em Catalão volte ser competitiva, para aumentar sua produção e vendas”, afirmou.

Presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), Otávio Lage Filho afirmou que as empresas estão preocupadas com o cenário de insegurança jurídica no Estado. “Incentivos fiscais devem ser uma política de Estado e não de governo. Não podem ficar mudando as regras a cada nova administração”, defendeu. “Acredito que só mesmo pensando juntos podemos contribuir para o sucesso de Goiás. Sabemos que o estímulo do poder público faz as empresas se desenvolverem, gerando mais impostos, serviços, empregos, formando um ciclo de prosperidade econômica”, disse o presidente da ACIC, César Safatle.

O prefeito de Catalão, Adib Elias, garantiu que vai conversar com o governador Ronaldo Caiado sobre a apreensão dos empresários e trabalhadores em Goiás. “Tenho uma história com a indústria, com a nossa cidade e com Goiás. Nós não vamos ser prejudicados, porque vamos debater, discutir e dialogar com o governo. Tenho a certeza absoluta que o governo vai repensar (sobre as mudanças na política de incentivos fiscais)”, disse. Para o secretário de Indústria e Comércio de Catalão, Cairo Batista, a união das entidades e dos municípios goianos é fundamental neste momento. “Já existe a incerteza econômica, não precisa ter também a incerteza política. Precisamos ser firmes para o Estado passar segurança às indústrias e aos trabalhadores”, comentou.

Prefeito Adib Elias prometeu conversar com o governador Caiado sobre os incentivos fiscais


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