Fabrizio Panzini: “Fazer o dever de casa será cada vez mais importante nesse cenário de internacionalização que virá”

Os setores farmacêutico, de couro e mel de Goiás devem se beneficiar mais rapidamente da abertura comercial promovida pelo acordo do Mercado Comum do Sul (Mercosul) com a União Europeia (UE), anunciado em junho último. É o que apontaram especialistas que participaram nesta quinta-feira (31/10) do 7º Encontro Internacional de Comércio Exterior promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) em sua sede, em Goiânia.

Segundo Fabrizio Panzini, gerente de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e um dos palestrantes no evento, as tarifas de couro, por exemplo, podem ser zeradas em até sete anos após a vigência do acordo. Hoje, as tarifas de exportação do setor variam de 6% a 17% para entrar nos países europeus. Mesma lógica deve acontecer com o mel, cuja tarifa média de exportação também está na faixa de 17%, diz o especialista.

“No caso farmacêutico, será uma via de mão dupla, principalmente por causa da comercialização de princípios ativos. Num primeiro momento, o empresário goiano será beneficiado na compra desses insumos, mas depois terá que concorrer com os remédios europeus, que também chegarão mais baratos aqui”, avalia Panzini.

De acordo com o Instituto Mauro Borges (IMB), da Secretaria de Economia de Goiás, os produtos farmacêuticos lideram a pauta de importações no Estado, representando cerca de 34% do volume trazido de fora anualmente. Estima-se que a vigência plena do acordo Mercosul-UE deve levar cerca de dois anos e meio, já que precisa ser aprovado nos parlamentos de todos os países envolvidos.

Pelo acordo Mercosul-UE, os insumos de princípio ativo da Europa terão tarifas zeradas ao Mercosul nos primeiros anos de vigência do intercâmbio comercial, mas, num prazo de seis a oito anos, chegarão os medicamentos europeus à região numa condição também diferenciada, o que significará um desafio de concorrência à indústria brasileira, aponta Panzini. Goiás é hoje o quarto polo nacional da indústria farmacêutica.

“Por isso, fazer o dever de casa será cada vez mais importante nesse cenário de internacionalização que virá”, diz o executivo da CNI sobre a continuidade das reformas do Estado brasileiro, com ênfase agora na reforma tributária, na opinião dele. Além da redução de tarifas, diz Panzini, haverá ganhos também na ampliação de cotas de exportação à agroindústria goiana, casos das carnes (frango e boi, principalmente), açúcar e etanol.

Competitividade internacional

Com o tema “Planejando a Competitividade Internacional Goiana”, o enfoque do 7º Encontro Internacional de Comércio Exterior da Fieg foi na abertura do mercado nacional diante de dois fatores que impactam significativamente as empresas brasileiras: os acordos comerciais internacionais brasileiros e a reunião do Brics, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que será realizada pela terceira vez no Brasil, em novembro.

Na série histórica de evolução da balança comercial goiana, os últimos sete anos foram os que registraram maior volume de exportações, excetuando 2015 e 2016, impactados pela forte crise global e no país. Na programação do encontro, palestras nas áreas de conjuntura econômica e política com participação do consultor Ricardo Sennes, Fernando Coppe Alcaraz, subsecretário de Integração Regional e Comércio Exterior do Ministério da Economia e Gustavo Reis Melo, analista do Sebrae Nacional.

À tarde, houve apresentações aos empresários goianos de representantes das embaixadas da Hungria, Portugal, Bélgica, Espanha, Chile, Nicarágua e Taipei. O vice-governador Lincoln Tejota participou da abertura do evento. Em sua fala, o presidente da Fieg, Sandro Mabel, destacou a importância de preparar o empresariado goiano para os desafios e as oportunidades que virão com a abertura comercial vislumbrada nos novos acordos comerciais.

Sandro Mabel: “Nossa visão é internacionalizar cada vez mais a indústria goiana, com inovação e troca de experiências”

Além do acordo Mercosul-UE, foi abordado também o Mercosul-EFTA, a Associação Europeia de Livre Comércio, bloco integrado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, cuja assinatura se deu em agosto último. “Nossa visão é internacionalizar cada vez mais a indústria goiana, com inovação e troca de experiências, celebrando novas parcerias e desenvolvendo a economia goiana como um todo”, disse para complementar sobre a necessidade de Goiás agregar valor às suas exportações agrícolas.

“Nosso ouro são os grãos. É preciso parar de exportá-los in natura, precisamos processá-los aqui, gerando mais emprego e renda. Só na soja, estamos falando da injeção de R$ 1 bilhão a mais na geração de riquezas”, citou o presidente da Fieg. (Fotos de Alex Malheiros)


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