“Ganha a empresa, universidade e sociedade”, diz Luizmar Júnior, da UFG

As rápidas transformações econômicas impulsionadas pela revolução digital exigem novas posturas de profissionais e empresas, em um cenário em que a inovação é a palavra chave. Economia compartilhada, soluções personalizadas, internet das coisas e inteligência artificial fazem cada vez mais parte desse cenário. Por isso, a aproximação do setor produtivo com os centros de pesquisa torna-se vital para acompanhar um mundo em transformação constante.

Esta foi a tônica da terceira edição da Mostra de Tecnologia para os Negócios, realizada nesta quarta-feira, 30, em parceria entre a Federação da Indústria do Estado de Goiás (Fieg), Fecomércio, Sebrae e Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec), com apoio das entidades que fazem parte da Aliança pela Inovação do Estado de Goiás.

Na feira montada na Casa da Indústria, em Goiânia, 15 expositores demonstraram resultados dessa parceria entre pesquisadores e empresas. É o caso, por exemplo, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Por meio da Agência UFG de Inovação, a instituição de ensino acaba de selecionar quatro empresas que terão projetos desenvolvidos em conjunto: a AgBiTech, que atua no setor de biotecnologia; a CSA, do setor de fármacos; a Nelore Myo, que trabalha com genética bovina; e a Imaginie, de educação em Inteligência Artificial.

“São empresas que atuam em setores que têm relação com o perfil de Goiás. Ganha a empresa, que desenvolve seus produtos, ganha a universidade, que estimula o conhecimento acadêmico, e ganha a sociedade com produtos inovadores”, diz o Luizmar Júnior, diretor do Ipelab e do Parque Tecnológico da UFG.

O Instituto Federal Goiano (IFG) tem parcerias com empresas ligadas ao agronegócio. No campus de Urutaí, os pesquisadores desenvolvem uma barra de nebulização que aplica micropartículas de herbicidas, tornando a pulverização mais eficiente e econômica. No mesmo campus, está sendo desenvolvido um drone para análise de solo por meio de microamostras. No campus de Rio Verde, o IFG recebe empresas no Parque Tecnológico e desenvolve o empreendedorismo nos próprios alunos. “Trabalhamos com a interdisciplinaridade e preparamos um profissional apto a atuar na indústria 4.0”, diz a gestora de projetos Rúbia Marques.

Presidente do Conselho de Desenvolvimento Tecnológico da Fieg, Heribaldo Egídio diz que os projetos apresentados na feira viram negócios. “Muitos produtos e startups estão no mercado nacional e internacional. Na Aliança pela Inovação em Goiás, 41 entidades, inclusive toda a academia, integram esse movimento que quer mudar o cenário do Centro-Oeste, com Goiás na vanguarda”, afirma.

Em um período de escassez de recursos públicos, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa em Goiás (Fapeg), Robson Vieira, diz que o objetivo é ampliar o financiamento privados ao setor. Atualmente, segundo ele, 50% dos recursos vêm do poder público. “Queremos que o setor privado seja o maior financiador da pesquisa no Estado”, diz. Conforme Robson Vieira, a Fapeg negocia com o governo estadual um aporte de R$ 50 milhões em 2020. Um dos objetivos é reter talentos no Estado. “Atualmente, uma bolsa gira em torno de R$ 1.150 no mestrado e R4 2 mil no doutorado. Queremos chegar a R$ 4 mil até R$ 12 mil”, afirma. Para isso, a proposta é focar nas pesquisas de maior impacto para a sociedade.


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