Syngenta estima que 18 milhões de hectares do Cerrado encontram-se em degradação

Trinta mil hectares de pastagens degradadas em Goiás, Mato Grosso e Maranhão serão recuperados a partir de 2020, através de sistemas integrados de produção, pela companhia de sementes e agroquímicos Syngenta, que anunciou um programa para recuperar 1 milhão de hectares degradados no Cerrado brasileiro nos próximos cinco anos.

O projeto, chamado Reverte, será concretizado em parceria com a ONG The Nature Conservancy (TNC). O investimento integra um plano global – serão US$ 2 bilhões que a Syngenta Internacional aplicará ao longo dos próximos cinco anos em programas de sustentabilidade “para ajudar os agricultores a se preparar e enfrentar as crescentes ameaças causadas pelas mudanças climáticas”.

De acordo com nota da companhia – que agora pertence à estatal Chemchina -, a iniciativa brasileira consistirá em práticas agronômicas sustentáveis, ferramentas financeiras e protocolos sobre o uso de insumos (de fertilizantes e sementes até maquinário e produtos de produção de cultivos). O CEO global da Syngenta, Erik Fyrwald, disse, em comunicado divulgado para a imprensa, que o aporte em pesquisa e desenvolvimento para a agricultura sustentável será acompanhado pela meta da companhia de reduzir pela metade a emissão de carbono das suas operações até 2030.

No âmbito do Reverte, projeto lançado especificamente para o Brasil, a ideia da empresa é contribuir para que produtores rurais recuperem pastos degradados para a agricultura, em vez de abrir novas áreas, que obrigaria o desmatamento. O programa faz parte da nova meta de sustentabilidade da empresa, anunciada em abril, que consiste em oferecer pelo menos dois “avanços tecnológicos disruptivos” (como são chamadas as tecnologias inovadoras) ao mercado por ano voltadas à sustentabilidade, embora não especifique, na nota, quais seriam essas tecnologias

Crédito
Ainda conforme a Syngenta, um dos principais gargalos para recuperação de áreas degradadas é falta de crédito ao produtor. Para tanto, o Reverte vai oferecer, para os produtores parceiros, um sistema próprio de financiamento para a recuperação das terras. “O modelo de financiamento que a empresa vai lançar é de fato um avanço disruptivo”, reforçou, em nota, o líder de Negócio de Sementes da Syngenta no Brasil, André Franco.

Franco acrescenta que o Reverte trará sementes adequadas para obter os melhores resultados nas condições de solos degradados do cerrado brasileiro. A Syngenta estima que cerca de 18 milhões de hectares de áreas do Cerrado encontram-se em algum estágio de degradação. Com a iniciativa, a companhia pretende auxiliar também a redução das emissões de gases do efeito estufa. “O Brasil incluiu na sua agenda de clima compromissos como a recuperação de pastagens degradadas e a ampliação da área com sistemas integrados de produção, que, juntos somam 20 milhões de hectares até 2030”, comentou a companhia em nota.


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