André Rocha, vice-presidente da Fieg: “É melhor um pequeno crescimento que crescimento nenhum”

O crescimento de 0,2% na produção industrial goiana em agosto, no comparativo com julho, foi recebido com comedimento pela Federação da Indústria de Goiás (Fieg). Conforme o vice-presidente da entidade, André Rocha, os dados divulgados pelo IBGE podem sinalizar uma recuperação da economia do País, ainda que timidamente. “O crescimento é baixo, mas tem de ser comemorado. É melhor um pequeno crescimento que crescimento nenhum”, disse, ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Segundo o IBGE, o avanço da indústria goiana em agosto ficou abaixo da média nacional, que foi de 0,8%. Porém, no acumulado do ano, Goiás, com 1,9% de alta, tem desempenho superior ao brasileiro, que fechou com queda de 1,7%. “Isso mostra a capacidade de reação da indústria goiana, depois de um processo ruim de desindustrialização nos últimos anos”, afirmou o vice-presidente da Fieg.

Conforme André Rocha, o País ainda está tentando reagir após os anos de crise econômica. Contudo, medidas do governo federal na área econômica ainda não impactaram o mercado. “Todos esperavam que houvesse uma reação desde o começo do ano. Mas, apesar do avanço da reforma da Previdência, não houve reflexo no humor do mercado”, disse. O vice-presidente da Fieg avalia que Goiás tem potencial para crescer mais fortemente. Porém, é necessário que o ambiente de negócios melhore. “Reconheço o grande esforço do governo estadual, mas é preciso destravar a questão dos licenciamentos ambientais”, afirmou.

CPI na Assembleia

A discussão em torno dos incentivos fiscais, inclusive com o andamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa é outro entrave. “Não deixa de causar certa insegurança jurídica para o investidor. Goiás precisa definir uma política de incentivos que seja competitiva. O Brasil está crescendo pouco porque os empresários estão em compasso de espera”, disse.

André Rocha acredita que o cenário não se modifique até dezembro. “O resultado final da indústria em 2019 vai ser muito parecido do que houve até aqui. Esperamos que o governo [estadual] e o Fórum Empresarial possam, por meio de um bom diálogo, estabelecer as políticas certas para que o setor possa investir”, afirmou.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que após o terceiro mês consecutivo de alta, a indústria goiana registra um avanço maior que a média brasileira. Em agosto, em comparação com julho, o aumento da produção industrial no Estado foi de 0,2%; no resultado acumulado, o crescimento é de 1,9%. No Brasil, a alta de agosto foi de 0,8% e no acumulado do ano há um recuo de 1,7%.

O desempenho goiano foi puxado pela indústria extrativa, que atingiu a maior variação positiva desde o início da série histórica, em 2013. Em agosto, no comparativo com julho, o setor teve alta de 45,5%. Dessa forma, recuperou as perdas dos primeiros cinco meses do ano e registra alta de 1,7% em 2019. Outro setor que teve variação positiva foi o de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (45,3%).

Por outro lado, os setores de metalurgia (-14,5%), fabricação de produtos e metal (-8,5%) e de farmoquímicos (-5,8%) tiveram desempenho negativo em agosto. Segundo o IBGE, eles foram influenciados pela menor produção de ouro em formas brutas para usos não monetários; latas de ferro e aço para embalagem de produtos diversos e medicamentos respectivamente.


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