“Hoje crescemos mais fora de Goiás. Nosso Estado não está mais tão atrativo quanto foi no passado”, disse Alberto Borges (Caramuru)

As indústrias de esmagamento de soja deixaram recado claro nesta segunda-feira (07/09) aos integrantes da CPI dos Incentivos Fiscais, na Assembleia Legislativa: os programas de incentivos são fundamentais para que o Estado não se torne somente exportador de soja, como chegou a ser no passado, e promova a industrialização do setor, que gera mais de 30 mil empregos diretos e indiretos em Goiás. Se não for assim, as indústrias vão fechar as portas, como ocorreu no passado. É questão de sobrevivência.

“São grupos nacionais e internacionais, donos de indústrias de esmagamento, que optaram por investir e gerar valor no Estado, ficando perto do produtor rural”, disse o diretor-presidente do Grupo Caramuru, Alberto Borges de Souza, ao mostrar e entregar o mapa dos investimentos do setor aos deputados. O empresário também reforçou que a maior parte da produção tem saído in natura, sem gerar impostos e agregar valor para o Estado, por conta da Lei Kandir, que zera impostos de exportação in natura.

“Hoje crescemos mais fora de Goiás. Nosso Estado não está mais tão atrativo quanto foi no passado. Construímos uma fábrica em Sorriso (MT), voltada à proteína concentrada de soja, que é um produto inovador, e lá nós produzimos também três tipos de energia. A empresa se aperfeiçoou nesses anos todos”, disse Alberto Borges, ao sugerir uma audiência pública para tratar do tema. O Grupo Caramuru tem três complexos industriais em Goiás e opera 26 unidades de armazenamento, empregando 2.500 trabalhadores.

Diante da situação, os próprios deputados pediram mudanças na legislação para garantir maior industrialização do setor em Goiás. O deputado Vinícius Cirqueira (PROS) defendeu legislação mais rígida por parte da Assembleia para que 50% da soja seja industrializada no Estado.

Granol
De acordo com o diretor da Granol, Osmar Albertini, a carga tributária final para produzir em Goiás é 26%, mais alta que no Tocantins, Brasília, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “Aqui, por exemplo, pago o ICMS da energia, que é 29% do valor da conta. No Tocantins a desoneração do incentivo é maior e o ICMS da energia é zero”, explicou Albertini, ao explicar que adquire óleo de outras esmagadoras de Goiás para produzir biodiesel.

“O programa de benefícios fiscais é um contrato e precisa ser cumprido pelos dois lados”, reforçou o dirigente da Granol, que gera hoje 850 empregos diretos em Goiás. “Precisamos montar uma equipe de trabalho para cuidar da industrialização do Estado de Goiás”, defendeu.


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