Ubiratan Lopes (Facieg e Sebrae) lembrou que o Daia em Anápolis só avançou com incentivos fiscais

O desenvolvimento econômico de Goiás será conquistado com a união do setor produtivo e dos trabalhadores, em parceria com o meio acadêmico e com o Poder Público. Foi o que defenderam por três horas cerca de 100 lideranças reunidas na noite desta segunda-feira (07/10) no seminário O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado no auditório do Senai em Anápolis, município exemplo da importância que os incentivos fiscais e uma boa infraestrutura causam para a industrialização de uma região do Estado.

Presidente da Facieg, Ubiratan Lopes lembrou que mesmo com uma das melhores infraestruturas do Brasil, o distrito industrial de Anápolis (Daia) teve apenas cinco indústrias por longo período porque não havia uma política pública de atração de novos empreendimentos. Presidente Regional da Fieg, Wilson Oliveira lembrou os passos para que o distrito anapolino fosse o local escolhido pela Caoa para instalar sua montadora de veículos Hyundai e, mais recentemente, Chery. Ter uma lei de incentivo semelhante à da Bahia, concorrente direta na época, foi fundamental.

O polo farmoquímico em Anápolis, que hoje produz 40% dos medicamentos consumidos no Brasil, também nasceu dos incentivos fiscais, mas sem eles corre sério risco de migrar para outras regiões do País, alertou o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares. “Como o investidor pode ter um planejamento se estão alterando as regras do jogo?”, questionou.

Para o presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, a união entre empresários e trabalhadores é o caminho para que sejam impedidos os retrocessos na economia estadual. Essa proposta, que vai além dos seminários já programados nas principais cidades goianas também foi defendido pelo presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti.

Marcelo Baiocchi: união entre empresários e trabalhadores é o caminho para evitar retrocessos na economia goiana

O presidente da Adial Goiás, Otávio Lage de Siqueira Filho, deixou claro que o movimento foi criado a partir de uma pauta única, defendida pelo setor produtivo e pelos trabalhadores, de retomada do crescimento goiano. “Estamos apresentando propostas a favor, colhendo ideias e sugestões, que em breve repassaremos ao governo para que ele possa avaliar como alternativas para as políticas públicas na área econômica”, explicou.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Reginaldo José de Faria, foi claro em relação à participação dos trabalhadores no movimento que também conta com o setor produtivo: a necessidade real de se proteger os empregos em Goiás. A entidade que ele preside tem cerca de 9 mil filiados na cidade, distribuídos em 474 empresas, com um terço desse contingente trabalhando no Daia. “Um distrito que a gente vê vários terrenos vazios”, disse o sindicalista. Para ele, parte dos problemas está na insegurança jurídica criada a partir da retirada de incentivos fiscais.

Reginaldo deu a dimensão dos prejuízos para a sociedade com a saída de uma empresa do porte da Caoa Hyundai de Anápolis. “São 1,5 mil empregos. Somente de vale-refeição, por ano, são colocados R$ 12 milhões no mercado. Que possamos dar as mãos nessa caminhada”, frisou. Presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria nos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal (Ftieg), Pedro Luiz Vicznevski disse que o movimento em prol dos empregos é um passo importante para a sociedade goiana. “Porque é o trabalho que dá dignidade à pessoa”, enfatizou.


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