Rogério Queiroz, com o irmão Rodrigo: “Manteremos cerca de R$ 100 milhões por ano, com um a dois projetos, com até quatro obras concomitantes nesse período”

Após amargar três anos com a crise econômica brasileira, ver seu número de distratos bater em R$ 80 milhões e baixar seus lançamentos anuais, a incorporadora Queiroz Silveira está pronta para retomar seu fôlego no mercado. Completando 20 anos, a empresa dos irmãos gêmeos Rogério e Rodrigo Queiroz Silveira está com um ambicioso plano de R$ 300 milhões em investimentos ao longo dos três próximos anos.

“Manteremos cerca de R$ 100 milhões por ano, com um a dois projetos, com até quatro obras concomitantes nesse período”, contou Rogério Queiroz, diretor da empresa, em entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS. O plano mira tanto novas plantas habitacionais, incluindo os mistos comercial-residencial, chamados de “mixed use”, quanto loteamentos e retomada em hotel e shopping center, áreas em que a empresa se deu bem com o projeto Lozandes Corporate Design, no Setor Park Lozandes, na capital goiana.

Especializada em unidades habitacionais de médio a alto padrão, seu principal negócio, a Queiroz Silveira projeta entregar novas 600 unidades neste período (2020-2023). São projetos para Goiânia e Anápolis. “Segmento comercial é mais sensível a crises, por isso preferimos focar preferencialmente em habitacional”, diz Rogério Queiroz falando de três projetos já em andamento que serão entregues a partir do ano que vem, todos em Goiânia: uma obra no Setor Universitário e duas no Marista.

Hotel e shopping
O foco no residencial levou a dupla de empresários a desenvolver os “mixed use”, empreendimentos que aliam as duas coisas (residencial e comercial). Essa experiência chegou também a hotéis, outra proposta que a empresa retoma nos novos investimentos. Depois de erguer o Quality, a Queiroz Silveira vai lançar, em abril do ano que vem, outro hotel de luxo no Setor Marista, com 160 leitos.

A experiência com o shopping integrado ao “mixed use” do Park Lozandes animou os irmãos a retomarem o Golden Shopping, projeto que já vinha em gestação desde 2014, mas que acabou congelado pela crise. “Vamos concluindo conforme a demanda dos lojistas. Queremos abrir no ano que vem pelo menos com duas âncoras, que seriam um grande posto do Vapt Vupt [serviço público do governo estadual, numa parceria público-privada] e um supermercado”, diz sobre negociações em andamento.

O Golden Shopping está numa área de 45 mil m² na região Leste de Goiânia, às margens da BR 153 e vizinha a Senador Canedo. “Há um vácuo ali de comércio e serviços da Grande Goiânia que vamos preencher”, diz Rogério sobre o novo centro de compras. Como de praxe no mercado, a Queiroz Silveira constrói e administra esses empreendimentos.

Confiantes na retomada econômica do país (“lenta, mas constante”, diz Rogério), os irmãos comemoram a nova fase da empresa também em função de uma estratégia de se desvencilhar dos financiamentos bancários. “Ainda é o maior gargalo do setor, porque é muito concentrado. Banco faz o que quer dos contratos”, desabafa Rogério afirmando que o novo plano de investimentos vai contar apenas com recursos próprios.

Ao longo de duas décadas, a empresa, nascida de uma parceria com o pai agrimensor, já ergueu 11 empreendimentos em Goiânia. No início, os irmãos engenheiros civis (mais a irmã também engenheira) faziam de tudo, de pontes a rede de esgoto, mas a partir de 2004 fixaram-se como empresa incorporadora, com a entrega de seu primeiro prédio residencial, o Barão de Melgaço, torre com 92 apartamentos no Setor Bela Vista, na capital. Hoje somam 3.232 unidades habitacionais lançadas em Goiânia e Anápolis.

A diversificação veio aos poucos e hoje, além de construir, prestam consultoria imobiliária e em gestão de imóveis, tendo também uma imobiliária própria. O quadro de funcionários diretos gira em torno de 500 pessoas. No longo prazo, Rogério cita investimentos em Catalão, onde a empresa tem uma grande e bem localizada área. “Mas isso é um capítulo à parte, para um futuro sem data ainda”, sugere o jovem empresário.


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