O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, num movimento de continuidade à flexibilização monetária. Com a decisão, a taxa cai para 5,5% ao ano, menor patamar histórico. Dentre os fatores que influenciaram na queda do indicador, o Comitê considerou a previsão da inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus e que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado. Entretanto, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário positivo para a inflação prospectiva.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), com a redução da Selic, há uma perspectiva para o barateamento do crédito, incentivando a produção e o consumo, o que é fundamental no atual momento. O setor produtivo espera que, até o final de 2019, a taxa básica chegue ao patamar histórico de 5% a.a.

Além de ser coerente com o atual ritmo da atividade econômica brasileira, a queda dos juros domésticos segue a tendência mundial, como o novo corte dos juros básicos americanos anunciado nesta nesta quarta-feira (18) pelo banco central americano (Federal Reserve). A decisão do Fed busca reduzir os impactos da desaceleração da economia mundial sobre os Estados Unidos, o que tende a influenciar os fluxos de capitais para os países emergentes, como o Brasil.

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual. No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem.

Previsões

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.


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