Luiz Höhl com tratores numa das lojas da Casa do Pica-Pau, em Goiânia

Uma das lojas pioneiras no varejo de máquinas e ferramentas em Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso, a Casa do Pica-Pau comemora seus 50 anos reforçando sua participação no mercado de máquinas agrícolas. Apesar do variado mix de produtos, a empresa fundada por Luiz Höhl (Höhl Máquinas Agrícolas) tem nos maquinários John Deere seu maior faturamento, completado por uma parceria longeva com equipamentos Stihl.

Com sete lojas em Goiás (três na capital e quatro no interior), a mais recente unidade foi inaugurada no ano passado, em Vianópolis, com a marca Pica-Pau John Deere, numa aposta de melhorar sua posição nesse mercado se aproximando dos clientes da área agrícola na região. As outras unidades da empresa nessa linha estão nas cidades de Acreúna, Jussara e Uruaçu, todas detentoras de grandes áreas produtoras. Somadas, as lojas da empresa empregam hoje cerca de 320 funcionários diretos.

“O agronegócio vai continuar bem, a linha branca é que seguirá meio de lado por causa do consumo em baixa e inadimplência ainda alta”, disse Luiz Höhl, goiano de ascendência alemã durante entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS na sede da empresa, na Avenida Castelo Branco, em Goiânia.

Höhl se refere aos dois segmentos onde a Casa do Pica-Pau se mantém forte: maquinário agrícola, com revenda de tratores, colheitadeiras, peças e implementos agrícolas e a linha branca, na comercialização de eletrodomésticos, refrigeração comercial e ampla gama de ferramentas, além das motosserras Stihl, que estão na origem da empresa, em 1963.

A empresa goiana tem sete lojas em Goiás, sendo três na capital

O início da Casa do Pica-Pau se deu por uma mistura de acaso e oportunidade, conta Höhl. No início dos anos 60, em Catalão, ele ajudava o pai de mesmo nome, um imigrante alemão, ex-combatente da 1ª Guerra Mundial, na serraria da família. Comprou então sua primeira motosserra de um viajante paulista de uma marca norueguesa, já fora do mercado, a Jo-Bu.

Pouco depois, recebeu a proposta de ser vendedor externo da marca na região. Combinou com o pai de se ausentar da serraria sempre na última semana do mês para se dedicar à oportunidade. Em suas andanças por São Paulo e Rio de Janeiro como representante da Jo-Bu, encontrou-se com um importador da motosserra de origem alemã da marca Stihl. A relação de confiança se deu de imediato, com o importador lhe oferecendo 50 motosserras para trazer do Rio a Goiás, sem exigir garantias. “No dia que você vender tudo, me pague”, disse-lhe o homem.

A partir daí, Luiz Höhl firmou uma parceria que dura até hoje, sendo um dos três maiores vendedores da marca no Brasil. A Stihl ainda não possuía fábrica no Brasil. E Höhl abriu na Avenida Anhanguera sua primeira Casa do Pica-Pau, uma inspiração que conciliava seu histórico de madeireiro com o famoso personagem de desenho animado que já fazia sucesso no Brasil. Ambos, pássaro e homem, com uma relação íntima com a madeira.

Para Höhl, a evolução de sua empresa passou a ser uma sucessão de oportunidades. “Minha primeira grande virada se deu com a abertura da mineração no Pará. Era 1977 e já tinha uma loja em Redenção para abastecer os madeireiros, mas o negócio de garimpo tomou conta do mercado de 1980 a 1988 e passei a vender os chamados kits de ‘chupadeira’, compostos de motores, bombas e mangotes”, relembra. No auge, chegou a vender 200 kits por mês.

O bom negócio das chupadeiras que alimentava a busca pelo ouro durou quase uma década, tempo suficiente para Höhl comprar os lotes vizinhos de sua principal e maior sede, na capital goiana, hoje com 10 mil m² (mais 4 mil m² de depósito na rua dos fundos). Abriu também diversas unidades em Goiás e outros estados, algumas já fechadas (casos de Redenção, Cuiabá e Anápolis). A experiência com a mineração trouxe também aproximação com as máquinas agrícolas.

Eram da Agrale os motores que impulsionavam as chupadeiras, a mesma empresa com quem Höhl fechou negócio para a revenda de tratores para o campo. Isso no final dos anos 80, início dos 90, com o negócio de garimpo em declínio e a chegada da estabilidade monetária no país.

Com isso, abriu-se também à empresa de Höhl o negócio da linha branca, com o aumento das vendas de eletrodomésticos e maquinários diversos. Da Agrale para a John Deere foi um pulo, diz o empresário falando da consolidação do negócio que ele diz estar confiante que seguirá firme, apesar das dificuldades conjunturais no país.


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