Realizada quinzenalmente no Parque Mutirama, a Feira Afroempreendedora de Goiânia quer fomentar a formalização de negócios e ampliar as redes de contato entre pretos e pardos que atuam como empreendedores. A próxima edição do evento está agendada para este domingo, das 9h às 18 horas. Além da comercialização de itens de moda, beleza, e artesanato, a organização preparou apresentações culturais relacionadas à cultura afro-brasileira.

A feira já era realizada há dois anos, de forma itinerante, com o nome de Expoafro. A adoção de um ponto fixo é fruto de parceria entre o Centro de Cidadania Negra de Goiás (Ceneg), a Associação de Empresários e Empreendedores para o Fortalecimento do Afroempreendedorismo (Ascenda) e a Prefeitura de Goiânia. “Nossa ideia é que a feira seja uma ferramenta de comércio, uma oportunidade para as pessoas vender, trabalhar e ganhar dinheiro para cuidar de sua família”, enumera o diretor da Ascenda, José Eduardo Silva. No Brasil, são 14 milhões de afroempreendedores. Em Goiás, este número chega a 453 mil. A maioria (403 mil) trabalha na Grande Goiânia, segundo dados do IBGE.

Na esteira da formalização, o acesso ao crédito é outro ponto que as entidades de afroempreendedoras pretendem trabalhar com os expositores. “Já temos como parceiros o Sebrae, a Goiás Fomento, o Banco do Povo e o Ministério Público do Trabalho”, informa ele, salientando as ações voltadas à qualificação.

Silva pretende, ainda, ampliar a parceria com a prefeitura de Goiânia para que, além da cessão do espaço para a feira, órgãos que atuam junto aos empreendedores possam orientá-los sobre formalização. “Não é só um projeto para arrumar um ponto para vender. É para, também, se formalizar, se tornar de fato importante para a sociedade goianiense no sentido de que a formalização gera a arrecadação de tributos. E o município precisa disso também”, avalia Silva.

A feira também deve gerar iniciativas direcionadas para imigrantes que vivem em Goiânia e que dependem do comércio informal para sobreviver. “Percebemos [na feira] um número grande de africanos e haitianos que vendem óculos. A partir daí, está nascendo outro projeto: trabalhar a qualificação profissional”, adianta. Hoje, eles trabalham comercializando os acessórios em pontos movimentados da capital, como as Avenidas Goiás e Anhanguera, no Centro, e 24 de outubro, em Campinas. “Queremos oferecer a esses estrangeiros a oportunidade de trabalhar formalmente no Brasil”, enfatiza Silva.


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