Gianna Sagazio, da CNI: “Goiás tem grandes possibilidades de reverter o quadro atual”

Goiás está atrasado e precisa avançar rápido e com firmeza no campo da inovação, prática que é reconhecida como uma das principais formas para ampliar a competitividade internacional da economia de uma região, estado ou país. O Estado ocupa a 10ª posição no ranking nacional da inovação e a 2ª no Centro-Oeste, bem como se esforça para resgatar o tempo perdido e assumir a liderança na região.

Para tanto, não faltam vontade e estímulos. Palestrante do 1º Encontro do Ecossistema Goiano de Inovação, realizado ontem (20/08) pela Fieg e Sebrae, a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gianna Sagazio, afirmou que Goiás tem grandes possibilidades de reverter o quadro atual, pois sua economia é pujante e as empresas têm buscado desenvolver e aplicar inovação de forma mais sistêmica.

Segundo Sagazio, este também é o desafio do Brasil que passou 64ª para 66ª posição no o Índice Global de Inovação (IGI). “Isso não é bom nem corresponde com o fato de o país ser a 9ª economia do mundial”, argumentou.

O diretor do Departamento de Tecnologias Estruturantes do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Jorge Mário Campagnolo, anunciou que, em breve, Goiás irá lançar uma chamada, por meio da Fundação de Amparo a Pesquisa (Fapeg), para ter os benefícios do programa Centelha, cujo objetivo é estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil. “Por isso acredito que o quadro da inovação será revertido”, frisou.

Aliança
O evento marcou o lançamento da Aliança pela Inovação, que conta com a união de 40 agentes públicos e privados para definir e defender o futuro da inovação goiana, com a meta de colocar o Estado na liderança de Inovação e Tecnologia no Centro-Oeste. A aliança se configura num esforço com o objetivo de criar o ambiente necessário para o estímulo da inovação e a indução de um novo tempo econômico para o Estado.

“Mas, são necessários recursos para Goiás crescer em inovação”, lembrou o presidente da Fieg, Sandro Mabel, ao criticar o governo do Estado que cortou recursos da Fapeg. “Isso é gravíssimo para o Estado, que quer e precisa desenvolver em inovação”, afirmou.

Segundo o presidente do Conselho Temático de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Fieg, Heribaldo Egídio, o principal destaque do movimento está na ação conjunta que vai tratar a inovação como algo indispensável e necessário ao setor produtivo, se valendo de diagnósticos e ações precisas de todo o ambiente atual vivido pelas empresas instaladas em Goiás. Conforme detalha, a inovação será considerada em sentido mais amplo da palavra, percorrendo toda a organização identificando pontos importantes, que na maioria das vezes, não são considerados e são vitais para a competitividade hoje e no longo prazo.

“Queremos mostrar aos empresários goianos que inovação não é custo, e sim investimento necessário. Dentro de nossas academias o empresário pode captar projetos inovadores para seu negócio, e a Aliança fará este trabalho de aproximação, uma vez que existem recursos e faltam projetos voltados para inovação”, explica Heribaldo Egídio.

Outra ação do movimento é mostrar que inovação pode virar business. “Para isso, todo osetor produtivo será foco desta união em prol do ecossistema de inovação em Goiás”, enfatiza, ao comentar sobre o setor de startups que gradativamente se transforma em negócios rentáveis. “Isto é um exemplo concreto, e é isto pretendemos incrementar por meio das ações da Aliança pela Inovação”.

Também envolvido no projeto, o Sebrae acrescentará força às estratégias que deverão ampliar a efetividade das políticas de apoio à inovação. O superintendente no Estado, Derly Fialho, ratifica a participação nesta agenda para levar Goiás ao futuro. “Estamos nos juntando para sermos capazes de fazer mais, aumentar o valor de nossa entrega ao cliente e aprender a escalar negócios com mais clareza”, enfatizou, ao pontuar que que o fortalecimento do ecossistema se dará a partir da interação dos atores, mecanismos e estratégias dentro de uma ação integrada, identificando pontos positivos e gargalos no caminho da inovação.

Para o secretário estadual de Desenvolvimento e Inovação, Adriano da Rocha Lima, a inovação não é uma opção. “É um caminho sem volta, pois o não investimento em inovação gera um resultado concreto – o fracasso de 100%”, enfatizou.


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