Daniela Alves, dona da Real Ferragista: “Sei da importância da contribuição para mim e para meus empregados”

De cada 10 donos de negócios em Goiás, apenas 36% contribuem para a Previdência, revela estudo do Sebrae com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual é até menor que o do Brasil, onde 40% dos empreendedores se preocupam em garantir a aposentadoria. Entre os que não contribuem, a maior parte sequer possui Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e trabalha na informalidade. O percentual coloca o Estado na 10ª posição do ranking de adesão à Previdência.

A empresária Daniela Alves integra a pequena fatia dos empreendedores goianos que estão de olho no futuro. Há 12 anos como contribuinte, a empresária se esforçou em ter as atividades da Real Ferragista, sediada em Goiânia, regularizadas, como CNPJ e estar formalizada. “Sei da importância da contribuição para mim e para meus dois empregados”, reconhece Daniela, ao admitir que esta é a forma de pensar no presente e no futuro, considerando o momento pelo qual passa o País com a Reforma da Previdência.

Para Daniela Alves, quem não contribui deixa de dar atenção ao próprio negócio em questões legaise também para o trabalhador brasileiro. “Isso acaba por prejudicar a todos, pois quem não contribui, além de certificar que está na informalidade, compromete o futuro e a aposentadoria”.

Para a assessora jurídica do Sebrae Goiás, Alice Gonzaga, o estudo traz dados que suscitampreocupações em relação a quem ainda não é contribuinte. “Estes precisam de mais acesso à informação para conhecer os benefícios e a necessidade de contribuir”, argumenta. Com os resultados deste estudo, ressalta, o Sebrae Goiás tem planejado ações quepossam promover e/ou facilitar o acesso à informação. “Porque a formalização de um negócio tem consequências positivas para o empreendedor, para País e para a população como um todo”, frisa.

Alice Gonzaga, do Sebrae Goiás: “O estudo traz dados que suscitam preocupações”

Inclusão
No Brasil os negócios menos estruturados, informais, sem sócios e sem empregados, são os quetêm menor inclusão previdenciária. Entre os que não contribuem, 89% não possuem CNPJ e 93% trabalham por conta própria, sem nenhum empregado. A aposentadoria também não parece ser a prioridade dos empreendedores mais jovens: apenas 19% dos que tem até 24 anos são segurados.
No estudo, ainda há os fatores região e renda que mostram correlação com o índice de adesão. Entre os que ganham cinco ou mais salários mínimos, a preocupação com a contribuição equivale a 4,3 vezes à registrada entre os que ganham um salário mínimo.

De acordo com o Sebrae, entre os empreendedores que são segurados da Previdência estão aqueles dos segmentos de serviços e comércio, na faixa etária dos 45 anos, cuja empresa tem CNPJ e maior número de sócios e empregados. A adesão no comércio (42%) chega a ser o dobro verificado no setor da construção, que tem o menor índice de contribuição ao INSS (23%). No outro extremo, os negócios menos bem estruturados, informais, sem sócios e sem empregados,são os que têm menor proporção de contribuintes da Previdência. Entre aqueles que não contribuem com a Previdência, 89% não possuem o CNPJ e 93% trabalham por conta própria e não possuem nenhum empregado.


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