As empresas do grupo Transbrasiliana devem pelo menos R$ 208 milhões

O grupo goiano de transporte de passageiros e de cargas Transbrasiliana, que desde o início deste ano está em recuperação judicial, vai leiloar 27 imóveis com lances mínimos entre R$ 235 mil e R$ 8,5 milhões. São terrenos, galpões, salas comerciais e imóveis residenciais localizados em Anápolis, Brasília, Guaraí (TO), Palmas (TO), Gurupi (TO), São Paulo (SP), Marabá (PA) e Teresina (PI). O leilão está marcado para o próximo dia 22 e foi autorizado pela Justiça. As informações são do Diário do Transporte.

O grupo contempla as empresas Transbrasiliana Transportes e Turismo, Rápido Marajó, Transbrasiliana Especiais e Fretamento, Transbrasiliana Hotéis, Transportes Coletivos de Anápolis, Nasson Tur-Turismo e a Transbrasiliana Encomendas e Cargas Ltda. Em 26 de fevereiro deste ano, os credores aprovaram o plano de recuperação do grupo.

As dívidas destas empresas totalizam, oficialmente, R$ 208,8 milhões. A maior parte da dívida (R$ 107,9 milhões) são para credores quirográficos, que não têm garantia de recebimento. Outros R$ 85,3 milhões são dívida trabalhista. No entanto, no mercado se estima que estas dívidas sejam hoje bem maiores, principalmente ao se incluir impostos não pagos. Somente para o Estado de Goiás, estima-se que o grupo empresarial deve R$ 90 milhões.

Em novembro passado, os credores recomendaram que imóveis pertencentes às estas empresas sejam vendidos para capitalizar o grupo, inclusive para permitir a criação de um fundo que permita realizar novos investimentos para aumentar as suas receitas. O imóvel de maior valor que será colocado à leilão no próximo dia 22 é um terreno em Marabá, nas margens da BR-230, com 10 mil metros quadrados avaliado em R$ 8 milhões (preço mínimo). A prefeitura de Marabá também informou neste mês que fará nova licitação das linhas de ônibus cuja concessão são atualmente operadas por empresa do grupo Transbrasiliana.

Os credores, por meio do Grupo Capital, também investigam possíveis irregularidades na gestão das empresas do grupo e suposta venda de parte delas para a Viação Itapemirim, também em recuperação judicial, no final de 2016. As duas empresas chegaram a compartilhar gestões de guichês e ônibus. A Itapemirim nega ter feito esta negociação e que participou da sociedade ou da gestão da Transbrasiliana.

Em abril do ano passado, a holding Odilon Santos Administração conseguiu decisão unânime do Tribunal Superior do Trabalho para de desassociar completamente das empresas do grupo Transbrasiliana, mas cerca de 1 mil funcionários entraram com ações trabalhistas requerendo o pagamento das verbas rescisórias pela holding, que depois conseguiu reverter novamente a situação no TST.

O fato é que a grande parte grandes grupos empresariais na área de transporte interestadual passam por dificuldades financeiras e muitos chegaram a encerrar suas atividades nesta década, abrindo espaço para pequenas e médias empresas, mais enxutas e com menor custo operacional. Três fatores contribuíram para isto: má gestão administrativa, concorrência com o transporte aéreo (quando as passagens de avião estavam bem mais em conta) e a grave recessão econômica do País.


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