Alfredo Correia, do Sindileite: busca de consenso com produtores e governo

Representantes do governo de Goiás, dos produtores de leite e dos laticínios se reuniram ontem (29/07) em Goiânia para definirem uma agenda em comum que busque soluções às dificuldades do setor e encerrem o clima tenso entre as partes. A reunião contou com a presença dos secretários estaduais Cristiane Schmidt (Economia) e Antônio Carlos Lima Neto (Agricultura) e presidentes e executivos das maiores indústrias de leite e derivados no Estado. Antes, os secretários de governo tinham se reunido com representantes dos produtores rurais.

Os industriais apresentaram dados técnicos que mostram não serem diretamente responsáveis pela retração nos preços pagos aos produtores de leite. Também mostraram, em números, que a participação dos produtores no valor bruto gerado pela cadeia do leite em Goiás tem aumentado nos últimos anos. Por fim, com dados, também mostraram que a importação de leite em pó para atender a demanda dos laticínios em Goiás não representa 5% do total consumido pelas indústrias instaladas no Estado.

Durante a reunião, a possibilidade do governo cortar incentivos fiscais dos laticínios que importam leite de outros países foi sequer discutida. A ideia, defendida na semana passada pelo governador Ronaldo Caiado (saiba mais aqui), foi duramente criticada pelo Sindileite (leia aqui), que representa o setor industrial goiano, afirmando que ela representaria a desindustrialização da cadeia do leite no Estado. Atuam no segmento em Goiás mais de 200 indústrias, que geram aproximadamente 10 mil empregos diretos.

Os representantes do governo, dos produtores e das indústrias acertaram de realizar pelo menos uma reunião mensal para discutirem os maiores problemas no setor e buscarem, em consenso, as soluções. Também será contratada uma consultoria independente para fazer o mapeamento da cadeia do leite em Goiás e iniciar a discussão para se instituir um preço de referência ao preço do litro do leite no Estado. Este trabalho deverá contar também com o apoio do Instituto Mauro Borges, do governo estadual.

A secretária Schmidt demonstrou interesse em implantar a substituição tributária para o comércio de leite e derivados no Estado, medida que não terá resistência das indústrias, segundo o Sindileite. Os representantes dos produtores e das indústrias devem ainda se encontrar nesta ou na próxima semana com o governador Caiado.


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