A gigante do agronegócio Bunge e a petroleira BP anunciaram a criação de uma nova empresa para a produção de açúcar e etanol no Brasil: a BP Bunge Bioenergia, com 50% de participação para cada uma. A nova companhia terá 11 usinas (8 da Bunge e 3 da BP) em cinco Estados e vai disputar palmo a palmo a vice-liderança neste setor. Das 3 usinas da British Petroleum (BP), duas estão localizadas em Goiás – Edéia e Itumbiara -, e a terceira em Ituiutaba (MG).

A maior empresa da área é a Raízen (joint venture entre os grupos Cosan e Shell), com capacidade de moagem de cana-de-açúcar superior a 60 milhões de toneladas anuais. A nova empresa terá capacidade para 32 milhões de toneladas, alcançando a Biosev, da rival Louis Dreyfus, e a Atvos, do grupo Odebrecht. A produção anual de etanol pode chegar a 1,5 bilhão de litros e a de açúcar, a 1,1 milhão de toneladas.

Com a joint venture, a Bunge receberá US$ 775 milhões pela operação, dos quais US$ 700 milhões são “relativos à dívida sem recurso da Bunge a ser assumida pela união das empresas no fechamento da operação” e US$ 75 milhões da BP. Além disso, a Bunge não vai mais consolidar suas operações de açúcar e bioenergia no Brasil em demonstrações financeiras consolidadas.

Uma das maiores empresas globais do agronegócio, a Bunge estava tentando há pelo menos cinco anos se desfazer de suas unidades de açúcar e etanol, segundo fontes a par do assunto. A companhia faz parte do grupo de tradings chamado ABCD, ao lado das gigantes ADM, Cargill e Louis Dreyfus. Todas entraram no setor sucroalcooleiro no País, mas foram reduzindo sua exposição ao segmento. A Bunge fez sua estreia no setor em 2006 e, quatro anos mais tarde, adquiriu o grupo Moema, ficando entre as cinco maiores do País.

Em 2008, a British Petroleum também entrou no setor com a compra da usina Tropical Energia, localizada em Edéia (Goiás), em parceria com o produtor de grãos Jorge Maeda (que vendeu posteriormente sua fatia). A usina emprega mais de 2 mil profissionais. Depois, a BP adquiriu a Usina Itumbiara, no sul de Goiás, e a de Ituiutaba, em Minas Gerais. A capacidade total de processamento das três unidades é de 10 milhões de toneladas de cana por ano. (Com agências)


Deixe seu comentário