FIEG critica uma possível quebra de acordo do Estado com investidores

FIEG critica uma possível quebra de acordo do Estado com investidores

28 de fevereiro de 2019

Empresários goianos criticam as frequentes declarações de auxiliares do governo estadual sobre a redução de incentivos fiscais no Estado. Lideranças do setor produtivo receberam hoje (dia 28) na FIEG a secretária estadual da Economia, Cristiane Schmidt, reunião marcada pela preocupação quanto à manutenção dos incentivos fiscais concedidos às indústrias que investiram em Goiás. Em visita ontem (dia 27) na Assembleia, Schmidt enfatizou que o Estado estuda promover mudanças nos programas de benefícios para atração de investimentos privados afirmando que os atuais geram renúncia fiscal de R$ 8 bilhões.

Presidente da Fieg, Sandro Mabel vê como equívoco a atual postura do governo de Ronaldo Caiado (DEM) de romper o acordado com as indústrias que se instalaram no Estado. “O empresário também tem uma série de contas à pagar. No balanço contábil das indústrias, o incentivo não vai para o bolso de ninguém. Ele serve para investimentos, para viabilizar que o produto que é feito em Goiás tenha competitividade frente ao que é produzido em outros Estados”, disse o empresário.

Sandro Mabel apresentou dados da área técnica da FIEG que indicam que o Estado deixa de arrecadar quase R$ 1 bilhão ao ano devido à ausência de uma política de incentivo à industrialização dos grãos produzidos no Estado. Segundo o presidente da Fieg, o Mato Grosso do Sul já trabalha com sucesso nesse sentido, ao estimular que 50% da produção local seja industrializada no Estado.

“O modelo gera aumento na arrecadação de impostos e, principalmente, divisas de cerca de R$ 400 milhões pagos em salários nos novos empregos gerados. É bom para o Estado, para o comércio, para a indústria e, sobretudo, para a população”, frisou Sandro Mabel.

A secretária da Economia voltou a apresentar dados gerais sobre as dificuldades fiscais de Goiás. Disse que, atualmente, 97% das receitas do tesouro estadual são comprometidas com o pagamento da folha dos servidores, dívidas e precatórios. “Hoje o caixa do Estado é para pagar funcionalismo e dívidas. Precisamos ter margem para fazer políticas públicas. Queremos sentar junto com o setor produtivo para ver como é possível contribuir nesse sentido. Identificar onde tem gordura nos incentivos para que possamos ampliar a base de arrecadação do Estado”, afirmou.

Curiosamente, a secretária da Economia afirmou que Goiás não é uma terra arrasada, discurso que vinha sendo adotado pelo novo governo estadual desde a campanha eleitoral, mas Schmidt disse que o Estado vive um momento fiscal extremamente difícil e defendeu ser fundamental que o Estado adote uma postura mais estratégica para conter o déficit, inclusive com redução da máquina pública. Afirmou ainda estar aberta para o diálogo e para trabalhar de mãos dadas com o setor produtivo. (Com informações da FIEG)

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