Leandro Berti : “Goiás tem projetos interessantes neste aspecto, com interação entre empresas e um laboratório de nanotecnologia importante nacionalmente, na Universidade Federal de Goiás”

Apesar de o termo ser recente, a nanotecnologia já está impregnada no dia a dia de todo mundo há muito. Existe nanotecnologia aplicada em um automóvel, em um celular, creme para a pele e até num simples pedaço de queijo. Essa indústria de ponta que trabalha com micropartículas está disseminada em diferentes setores, mas no Brasil quem a lidera é o segmento de cosméticos, seguida da indústria farmoquímica.

“A tecnologia hoje é global, um polímero desenvolvido aqui em Goiás, é o mesmo que será desenvolvido na China ou na África ou em qualquer outro lugar para uma mesma aplicação. Nosso desafio é massificar a nanotecnologia em diferentes setores como ganho de competitividade da nossa indústria”, afirmou Leandro Antunes Berti, coordenador de Desenvolvimento e Inovação em Tecnologias do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Berti foi um dos palestrantes do workshop “Nanotecnologias em Produtos Industriais: alavancagem para geração de negócios”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) em parceria com a CNI nesta quinta-feira (27), na sede da federação, em Goiânia. O evento reuniu empresários, pesquisadores e representantes governamentais para debater os avanços e gargalos da nanotecnologia aplicada à indústria brasileira e goiana.

Cristiano Silva: “ As empresas Alta, Blant, Vitalifee Melcon Química já possuem algum nível de experiência com nanotecnologia e nosso objetivo é estimular a busca de soluções para melhorar produtos”

Desafio

Segundo Berti, o desafio do Brasil para fazer sua indústria nanotecnológica avançar passa por aproximar a indústria dos pesquisadores e fortalecer os ecossistemas regionais de pesquisa e inovação, além de reforçar as linhas especiais de financiamento a esse setor, que hoje é a coqueluche da pesquisa e desenvolvimento na indústria, junto com a robótica 4.0.

“E Goiás tem projetos interessantes neste aspecto, com interação entre empresas e um laboratório de nanotecnologia importante nacionalmente, na Universidade Federal de Goiás”, comentou o gestor do governo federal. A professora Eliana Martins, da Faculdade de Farmácia da UFG e uma das pioneiras da pesquisa nanotecnológica em Goiás, também palestrou no evento.

Leandro Berti se refere aos primeiros projetos gestados na indústria cosmética goiana com o laboratório da UFG. Quatro dessas empresas integram um projeto-piloto da CNI/Fieg para o desenvolvimento da nanotecnologia em Goiás. São três empresas de cosméticos (Alta, Blant e Vitalife) e uma farmacêutica (Melcon Química, de Anápolis) que fazem parte do estudo, que inclui o Instituto de Tecnologia do Senai como parceiro.

Realizado em três etapas, o diagnóstico das empresas resultou na apresentação de sugestões para melhoria dos negócios, com análise de potenciais aplicações da nanotecnologia para diversificar e agregar valor aos produtos das empresas e no mapeamento de fornecedores com soluções nanotecnológicas no Brasil. Também abriu oportunidade de participação no “Edital de Inovação para a Indústria”, que dá apoio financeiro de até R$ 400 mil na execução de projetos.

Tânia Cardoso: “ Com a nanotecnologia, a Blant Cosméticos está fazendo o reposicionamento de marca de um creme para tratamento de unha lançado há quatro anos”

Pele e unha

“Essas empresas já possuem algum nível de experiência com nanotecnologia e nosso objetivo é estimular a busca de soluções para melhorar produtos ou mesmo estimular o desenvolvimento da própria matéria-prima nanotecnológica”, disse Cristiano Silva, Analista de Políticas e Indústria na CNI, que já realizou trabalho idêntico nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará.

Duas das empresas goianas que participam do diagnóstico da CNI/Fieg, Alta e Blant Cosméticos, participaram de uma mesa à tarde no workshop, falando de suas experiências com a nanotecnologia, bem como discutindo oportunidades e desafios. Tânia Cardoso, diretora comercial e de marketing da Blant, conta que a empresa está fazendo o reposicionamento de marca de um creme para tratamento de unha lançado há quatro anos.

“Com a nanotecnologia, conseguimos encapsular cinco ativos no creme que vai mudá-lo de categoria, passando de cosmético para o chamado cosmecêutico, mistura de produto cosmético que é também farmacêutico. Isso muda o patamar comercial, já que o creme poderá ser receitado pelos profissionais de saúde, como médicos e farmacêuticos”, detalha Tânia sobre o creme, que usa a tecnologia desenvolvida por uma empresa gaúcha.

Mas no grupo de empresas reunidas no projeto-piloto da CNI/Fieg há quem esteja pronto para ter sua própria nanotecnologia. É o caso da Vitalife. Especializada na fabricação de dermocosméticos, a empresa está desenvolvendo um creme clareador de pele com ativos nanotecnológicos, tudo feito na própria planta industrial da empresa, em Aparecida de Goiânia, a partir de projetos aprovados no Finep.


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