Novo comportamento de consumo

Novo comportamento de consumo

14 de junho de 2018

Compartilhar. Essa tem sido uma das palavras de ordem do momento. Se antes a meta era ter um produto ou bem inteiro somente para si, hoje o mandamento é dividir bens de luxo, equipamentos, remédios, áreas corporativas e outros produtos, para que todos possam usufruir ou ganhar de forma colaborativa, racionalizando seu uso.

Nesse sentido, a internet se tornou um meio eficiente para a prática de compartilhar bens, serviços e informações. Aplicativos como Waze, Uber e o Airbnb são claros exemplos dessa nova era do consumo. Essa tendência segue também forte no setor imobiliário, especialmente nos imóveis de temporada, também chamados de “segunda residência”.

Quem adquire uma “segunda residência” – uma casa na praia, um sítio ou um apartamento em cidade turística – acaba utilizando parcialmente o imóvel, contudo pagando por inteiro todos os ônus decorrentes da propriedade, incluindo manutenção e impostos. É nesse contexto que vem ganhando força no Brasil a multipropriedade, um sistema em que os imóveis são vendidos por meio de frações imobiliárias.

O consumidor torna-se coproprietário de um imóvel escriturado, com tempo de uso pré-determinado para o desfrute de um tempo férias. Nos casos em que o empreendimento participa de um sistema mundial de intercâmbio de férias, o proprietário poderá trocar o seu período de tempo e de uso por outros destinos turísticos no Brasil ou no exterior. Outra vantagem é o proprietário obter resultado com a sua unidade colocando-a no pool de locação hoteleira, caso não queira usufruir as suas semanas.

Quando o consumidor compra uma segunda residência para lazer, ele arca com 100% da despesa, porém acaba utilizando apenas 10% do seu tempo para viagem. Com a propriedade fracionada, essa situação teoricamente se inverte: paga 10% e utiliza 100% do seu tempo. Cidades turísticas goianas, como Caldas Novas e Pirenópolis, vêm oferecendo essa modalidade de aquisição.

Numa era em que a conectividade não tem limites e transforma um planeta inteiro numa comunidade, compartilhar realmente é sempre um bom negócio. Definitivamente, a economia compartilhada e os imóveis fracionados de segunda residência vieram para ficar, já não são uma tendência e, sim, a consolidação de uma relação de consumo, lazer e patrimônio.

Economista e empresário do setor de hotelaria e turismo

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