Há 34 anos, uma oportunidade de investimento marcou a fundação da Ki-Joia Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza, que se prepara para enfrentar os desafios da escassez de recursos naturais, colocando no mercado produtos desenvolvidos com tecnologia voltada para a sustentabilidade e economia. Em 1984, os irmãos José e Jaime Canedo investiram pouco mais de 10 mil cruzeiros, moeda da época, para iniciar a fabricação de cera em pasta.

Na década de 1980, o fabricante da Cera Tiquinho estava encerrando suas atividades e os dois irmãos Canedo, juntamente com um dos representantes da fábrica fechada, que tinha experiência na área, decidiram adquirir a indústria. Jaime Canedo, que era graduado em Direito e atuava no segmento comercial, conta que ao comprar a empresa em 1984, as atividades se resumiam na fabricação de uma pasta à base de carnaúba. Em dois anos, os irmãos decidiram adquirir as cotas do terceiro sócio e deram início a uma política de expansão do negócio.

“Foi um grande desafio, pois saímos de uma experiência comercial. Não tínhamos foco industrial. O perfil da indústria é diferente do perfil do comércio. Demoramos oito anos para entender o funcionamento do setor industrial e partimos para a consolidação da nossa empresa”, afirmou. A fábrica funcionava em uma casa no Setor Urias Magalhães e foi preciso adquirir um imóvel maior, localizado no Setor Crimeia Leste, para acomodar a linha de produção. Atualmente, no local funciona a sede administrativa e um centro de distribuição. Desde 2006, a unidade de produção está localizada numa área de 32 mil metros quadrados, no o Polo Industrial de Aparecida de Goiânia.

Evolução

No início dos anos 1990, com o Plano Collor, que confiscou os recursos depositados em contas bancárias, a Ki-Joia foi obrigada a ter visão de indústria. “Nesta fase, mudamos a maneira de administrar o negócio. Voltamos os nossos olhos para a produção e evoluímos da cera de pasta para a líquida, agregamos novos produtos na nossa linha, como água sanitária, desinfetante, amaciante de roupas, lava-louça”, afirma Jaime. E o processo adotado surtiu resultado.

No início das atividades, a Ki-Joia fabricava apenas a cera à base de carnaúba, embalada em lata metálica, com peso líquido de 13 quilos. Posteriormente, passou a produzir água sanitária de 1 litro e desinfetante com fragrância de eucalipto de 750 mililitros. Depois, vieram cera líquida, detergente líquido e limpadores multiuso. A partir de 2007, a indústria passou a oferecer variadas opções de produtos para uso diário. Hoje, o portfólio da empresa conta com 17 produtos em várias versões. Além dos produtos de limpeza, a indústria fabrica as embalagens que utiliza, e está instalando uma loja para atender o varejo, em um imóvel também no Setor Crimeia Leste.

A Ki-Joia está presente em praticamente todo o País, atendendo diretamente os mercados de Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Pará e Maranhão. Os produtos também podem ser encontrados nas demais unidades da federação, por intermédio de atacadistas. Agora, a empresa se qualifica para alcançar o mercado externo. Três produtos estão sendo preparados para exportação, com foco inicial no Mercosul – Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Sustentabilidade

“Estamos partindo para uma nova fase de nosso negócio. A nossa preocupação agora é com a fabricação de produtos que privilegiam a sustentabilidade, com alto grau de concentração. Temos de trabalhar na mudança da cultura do desperdício. Os recursos hídricos estão cada vez mais escassos e caros, então não dá mais para a dona de casa ou o empresário utilizar água em excesso para fazer a limpeza de seu imóvel e seus móveis”, afirmar Jaime Canedo. Segundo ele, a nova linha de produtos será ainda mais eficiente e com a utilização de menos água.

De acordo com Jaime Canedo, o meio ambiente é um patrimônio que pertence a todos os seres humanos. “Os maiores desafios dos seres humanos são a preservação dos recursos hídricos e o tratamento correto dos efluentes e dos resíduos sólidos”, enfatiza. Com essa preocupação, o parque industrial está dando início à implantação de processos de tratamento da água, com a retirada completa dos produtos químicos, para torná-la mais reutilizável. “É um processo de alto custo, mas é necessário”, explica, lembrando que parte da água que sobrar após o reaproveitamento na indústria será doada para a prefeitura de Aparecida de Goiânia utilizar na jardinagem do canteiro central da avenida principal do Polo Empresarial.

Atualmente, o processo de tratamento dos efluentes líquidos é feito por intermédio de uma rede de esgoto equipada com filtro anaeróbico. O líquido coletado é tratado e purificado antes de ser canalizado para a estação de tratamento de esgoto, que possui fossa de degradação e tratamento e sumidouro. Solo, lençol freático e leito dos mananciais da região não são contaminados. Os demais resíduos são coletados e encaminhados para usina de compostagem ou aterro sanitário apropriado.

Para que o setor industrial e o empreendedorismo continuem tendo papel importante no crescimento do País, de acordo com Jaime Canedo, será preciso ampliar e facilitar o acesso às linhas de financiamento do setor produtivo, reduzir a carga tributária e estabelecer novas relações de trabalho. Além disso, acrescenta, os empresários precisam voltar a confiar e acreditar na retomada do crescimento econômico. Para ele, também faz-se necessário implantar mudanças que favoreçam o crescimento do emprego e da renda dos trabalhadores, para melhorar o nível de consumo.


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