Lucro da indústria encolhe R$ 347 bilhões em um ano

Lucro da indústria encolhe R$ 347 bilhões em um ano

15 de dezembro de 2017

“É um escândalo, precisa equilibrar com o setor produtivo”, diz o economista Thiago de Moraes sobre os lucros dos bancos

A indústria brasileira sofreu redução de R$ 347 bilhões nas margens de lucro em 2015 por conta da grave crise econômica no Brasil e também pelo avanço das importações de bens industriais a partir de 2005, que praticamente parou a produção industrial brasileira depois de 2010. É um fenômeno que tem acontecido de forma intensa nesta década. Em 2010, por exemplo, a lucratividade do setor encolheu R$ 110 bilhões em 2010. Os números foram apresentados pelo economista e consultor de planejamento estratégico da Petrobras, Thiago de Moraes Moreira, em palestra na Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), acompanhada pelo EMPREENDER EM GOIÁS.

Thiago de Moraes elencou as variáveis que, na sua opinião, contribuíram de forma decisiva para a queda no lucro da indústria brasileira de 2000 a 2017: importações, comércio, transporte e setor financeiro. Ele explicou que importações e produção de bens andaram juntas até 2005. A partir daquele ano houve um “descolamento”, com a importações avançando mais, chegando a uma disparada a partir de 2010, deixando a indústria brasileira praticamente estagnada. Essa situação foi favorecida pela taxa cambial, com o dólar caindo de R$ 4,60 em 2002 para até R$ 1,50 em anos seguintes.

A indústria sofreu o impacto até nos segmentos, como laboratórios, que se beneficiam com a cotação menor do dólar para a importação de insumos. Só com essa situação das importações a indústria perdeu R$ 233 bilhões em 2015, segundo dados do economista baseados nos do IBGE. Na variável comércio e transporte, esse impacto negativo nos lucros da indústria foi de 114 bilhões em 2015, em função da elevação de custos. Mas o tombo na margem de lucro do setor se acentuou a partir de 2010, quando esse encolhimento chegou a R$ 110 bilhões.

A partir de 2015, a crise chegou também ao comércio e ao transporte, “e todo mundo ficou mal”, ressaltou Thiago de Moraes. O setor financeiro foi apontado pelo economista como responsável também pela situação de penúria da indústria, por se apropriar de nada menos de 2,5% do PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas durante o ano. “É um escândalo, é preciso equilibrar esse ganho com o do setor produtivo”, frisou.

José Alves Filho e Pedro Alves de Oliveira são otimistas, mas defendem reformas

Reformas
Presidente do Instituto Democrativa, o empresário goiano José Alves Filho diz acreditar que o setor industrial brasileiro tem como reverter a atual situação e voltar a crescer. Para tanto, acrescenta, basta o País fazer as lições de casa, como fez a China, que na década de 1990 tinha um PIB menor que o do Brasil e hoje chega a US$ 11 trilhões, enquanto o brasileiro não passa dos US$ 2 trilhões. José Alves Filho também apresentou um projeto denominado “Soluções estratégicas para o reposicionamento do lucro da indústria brasileira”. Uma das principais propostas é a reforma da política monetária, segundo o empresário, mais urgente que a reforma da Previdência. A monetária proporcionaria economia anual ao País de R$ 296,4 bilhões, enquanto a da Previdência, de R$ 67,65 bilhões.

No caso da atual política monetária, José Alves observou que os juros, que chegam a 15% ao mês no cartão de crédito e 14% no cheque especial, só beneficiam 2% da população brasileira, que são os chamados rentistas. O restante, 98% da população, é prejudicado. A reforma monetária, defendeu, é uma das soluções básicas para posicionar o Brasil entre as nações competitivas e proporcionar um crescimento sólido e continuado no País. O empresário pregou também o fim do excesso de regulamentações por parte dos governos federal, estadual e municipal, que travam as iniciativas empresariais. E lembrou também que muitas vezes os governos instituem determinados impostos com argumento de que a empresa pode repassar isso para o consumidor. “Mas as famílias têm limites para seus gastos”, enfatizou.

Presidente da Fieg, Pedro Alves de Oliveira disse, no entanto, que está sentindo uma melhoria na economia do País, o que vai favorecer a indústria nacional. “A solução passa por nós. E algumas leis já aprovadas certamente vão mudar a rota do Brasil no rumo do crescimento”, disse. Presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Euclides Siqueira também se mostrou otimista com os rumos da indústria nacional. “2017 está difícil de acabar, mas vamos engatar uma terceira e depois uma quarta e vamos para a frente em 2018. Sempre lembrando que o setor produtivo é o empresário e o trabalhador, o Brasil só crescerá com essa união”, disse Euclides Siqueira.

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