Goiana Scitech está presente em 40 mil corações

Goiana Scitech está presente em 40 mil corações

11 de setembro de 2017

Cerca de 40 mil pessoas, a maioria brasileira, ganharam uma vida melhor nos últimos 15 anos a partir do trabalho da indústria goiana Scitech. A empresa é a única de capital nacional que fabrica stent farmacológico, produto médico usado em cirurgias do coração e em outras partes do corpo. Criada em 2002, produz 80 itens para a chamada medicina minimamente invasiva e vai aumentar esse portfólio para 115 produtos até o final de 2018.

O carro-chefe da empresa são os stents coronários, que lideram a produção atual de cerca de 3 mil unidades por mês, entre stents e acessórios como cateter guia, fio guia, introdutores e outros. Stents são minúsculos cilindros mecânicos de telas metálicas, acompanhados de um balão, que ajudam o paciente na solução de problemas coronários. O dispostivo auxilia na desobstrução arterial e evita, por exemplo, as temidas cirurgias de colocação de ponte de safena. Toda a matéria prima necessária à produção da Scitech é importada.

A Scitech produz dois tipos de stent: metálico (BMS) e farmacológico (DES), que libera um fármaco imunossupressor que permite uma maior taxa de sucesso nos procedimentos. Concorrendo com gigantes multinacionais, a empresa conta com 210 funcionários diretos em sua unidade no polo empresarial de Aparecida de Goiânia e nos escritórios de Porto Alegre, Vitória e São Paulo, além de 30 distribuidores no País e venda direta.

O principal mercado da empresa está nos hospitais públicos e cerca de 8% de sua produção atual é exportada para 32 países.

O engenheiro Melchiades da Cunha Neto, um dos dois sócios da Scitech, evita falar de faturamento, mas dá alguns números do setor ao EMPREENDER EM GOIAS que dão ideia do tamanho do negócio, que envolve investimento alto em pesquisa e desenvolvimento. Para criar um tipo de stent biodegradável (que é absorvido pelo corpo), por exemplo, a norte-americana Abbot injetou US$ 2 bilhões em pesquisa. Uma pequena empresa produtora de válvula percutânea foi adquirida recentemente por US$ 300 milhões.

Cerca de 30% do faturamento anual da Scitech é investido em pesquisa e desenvolvimento. Com a boa aceitação do produto, a produção cresce a uma taxa média de 30% ao ano. “O acesso a angioplastias no Brasil hoje é seis vezes menor do que na Europa e 12 vezes menor do que nos Estados Unidos, por exemplo. Então, vejam que nosso potencial de mercado vai longe ainda”, diz Melchiades.

O empresário conta que 15 novos produtos entram no catálogo neste ano. Para 2018 vários outros produtos inovadores para médicos e pacientes estão nas pranchetas de pesquisas da Scitech. O horizonte para a empresa é amplo e os sócios não descartam parcerias com investidores nem abertura de capital em bolsa. “Não importa a cor do gato, desde de que cace o rato”, brinca Melchiades.

O empresário Melchiades da Cunha Neto mostra o produto carro-chefe da indústria goiana Scitech

Importadora
A Scitech começou como importadora, inicialmente de carros e equipamentos eletrônicos dos Estados Unidos. A área médica foi entrando nas compras dos sócios aos poucos até que Melchiades Cunha Neto e Alexander Moreira, colegas de trabalho que deixaram a construtora Emsa para empreenderem juntos, enxergaram no setor médico um negócio de futuro.

Importavam os stents e acessórios para cardiologia, neurologia, oncologia, endoscopia e radiologia, e resolveram apostar na produção, num misto de oportunidade, crises cambiais e de representação comercial já que sofriam constantemente com variação do dólar e mudanças contratuais por aquisições e fusões no setor, fonte de suas importações.

No início dos anos 2000 os sócios resolveram buscar apoio para pesquisa e desenvolvimento dos stents nacionais na comunidade médico-científica em São Paulo. Fecharam uma parceria com a Innovatech Medical, empresa liderada pelo professor Spero Morato, físico aposentado da USP, especialista em corte a laser, técnica fundamental na fabricação do stent. A pesquisa ao desenvolvimento do produto contou também com a colaboração da equipe médica do Instituto do Coração (Incor).

A Innovatech desenvolveu a plataforma metálica do stent enquanto a Scitech fazia a montagem final num cateter-balão, dispositivo que leva o stent até a região afetada do paciente durante o procedimento médico. Atualmente, tudo é feito na fábrica da empresa goiana, num moderno complexo de 5,5 mil metros quadrados construídos em Aparecida de Goiânia.

Quatro anos depois de pesquisas, testes e liberação dos órgãos reguladores, chega ao mercado o primeiro lote de stents metálicos (convencionais) da Scitech. O produto recebeu o nome comercial de Cronus. Para o desenvolvimento de um stent farmacológico o tempo médio é de oito anos.

Wanderley de Faria é jornalista especializado em Economia e Negócios, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/FEA/USP - BM&FBovespa

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2 thoughts on “Goiana Scitech está presente em 40 mil corações”

  1. Avatar Claudio disse:

    Tudo começou na Inovatech Medical, uma empresa incubada na Incubadora USP/Ipen- Cietec Agradeceria

  2. Avatar Claudio disse:

    Tudo começou na Inovatech Medical, uma empresa incubada na Incubadora USP/Ipen- Cietec