A despeito da persistente crise política do País, uma novela que parece não ter fim, impondo aos brasileiros, dia após dia, um novo capítulo, a economia dá sinais de força, indicando um salutar e sonhado descolamento dos sucessivos escândalos da vida pública nacional, que tanto mal têm feito ao setor produtivo e à população. Na contramão da banalização dos casos de corrupção, notícias alvissareiras animam a indústria e criam expectativa de retomada das atividades, embora ainda de forma lenta.

São exemplos recentes o controle da inflação, a retração do número de desempregados, a queda da taxa Selic e o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que em agosto subiu para 52,6 pontos, ainda abaixo da média histórica de 54,0 pontos, porém revertendo duas sucessivas quedas. Setembro entrou e trouxe mais uma boa-nova: o crescimento de 0,2% da economia brasileira no segundo trimestre em relação ao período imediatamente anterior mostra que o pior da crise está ficando para trás.

A expectativa é de que a recuperação gradual se mantenha nos próximos meses, segundo avaliação técnica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da queda de 0,5% do PIB Industrial registrada no segundo trimestre frente aos primeiros três meses do ano, nem todo o setor recuou no trimestre. A indústria extrativa cresceu 0,4% e, a de transformação, 0,1% frente aos primeiros três meses do ano. Foi o segundo trimestre consecutivo de crescimento da indústria de transformação. No primeiro trimestre a expansão do setor foi de 1,1%.

Uma surpresa positiva do segundo trimestre foi o aumento do consumo, que subiu 1,4% na comparação com o período imediatamente anterior, impulsionado pela liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a queda dos juros, do desemprego e da inflação. À exceção dos saques do FGTS, esses fatores deverão continuar estimulando o
consumo e a atividade nos próximos meses.

O cenário seria ainda mais animador se os investimentos não continuassem caindo. Com a queda de 0,7% no segundo trimestre, os investimentos representaram apenas 15,5% do Produto Interno Bruto. Antes da crise, ficavam em cerca de 20% do PIB. Nesse momento, em que a ociosidade da indústria está elevada, o baixo investimento não prejudicará a retomada do crescimento. No entanto, no futuro será necessário aumentar o investimento para elevar a capacidade de produção e garantir o crescimento sustentado da economia.

Em meio a esses sinais, que obviamente são ainda tímidos, têm fundamental importância os avanços que já conseguimos, a exemplo da PEC do teto, da terceirização e da reforma trabalhista, aprovadas no Congresso. Igualmente, é preciso continuar avançando com as reformas política, tributária e da Previdência e rever a política de juros como forma de incentivar mais investimentos no País.

Não por acaso, a Fieg tem levantado a bandeira da redução dos juros cobrados pelo FCO com o objetivo de incentivar mais contratações no programa e aumentar os investimentos em Goiás. Ainda em âmbito regional, destacamos o movimento do governo do Estado, por meio do programa Goiás na Frente, que tem levado recursos para obras relevantes em cidades do interior e na capital. A retomada dos investimentos em infraestrutura rodoviária gera empregos, reduz custos e aumenta a produtividade da indústria.

Enfim, luzes no fim do túnel!


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