A principal mensagem do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, com alta de 0,2% em relação aos três primeiros meses de 2017, é que a primavera já chegou para a economia brasileira depois de um longo inverno. A recessão caminha para o fim e o futuro é promissor. A recuperação está se generalizando na economia, como mostram os dados do consumo das famílias, varejo, confiança e da recuperação do mercado de trabalho.

Com a inflação controlada, a queda dos juros básicos, a liberação do dinheiro do FGTS e as empresas voltando a contratar, as famílias se sentiram mais confiantes para retomar o consumo, que registrou aumento de 1,4%, o que reforça a expectativa de um segundo semestre mais consistente para o comércio. No lado da produção, os serviços também tiveram crescimento expressivo, de 0,6%.

Com o resultado, analistas e instituições financeiras passaram a rever suas projeções para o ano, e já há apostas de um crescimento até superior a 1% este ano. Ou seja, o País decididamente passou no teste do segundo trimestre, por conta da crise política de maio, após as delações da JBS.

Mas a recuperação econômica tende a ser lenta. A queda nos investimentos, marcada pelos cortes nos orçamentos dos governos federal, dos Estados e municípios para as obras públicas, puxou o PIB da indústria para baixo, acendendo um sinal de alerta no início da recuperação da economia brasileira. Mesmo com a recessão ficando para trás, a taxa de investimentos foi de 15,5% do PIB, pior nível para segundos trimestres da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996.

O investimento é fundamental, porque aumenta a capacidade da economia e introduz progresso técnico. Sem ele, não haverá aumento sistemático da produtividade. É difícil imaginar uma recuperação do investimento público, mesmo no médio prazo. Então, o governo tem de passar essa bola para a iniciativa privada. É fundamental resolver a questão regulatória e fazer deslancharem logo alguns dos projetos de privatizações, a exemplo dos recentemente anunciados.

Paralelamente, é preciso manter a vigilância para que as reformas estruturantes avancem no Congresso, como a da Previdência e a tributária. O Brasil novo depende de mudanças. O ajuste fiscal é inexorável. Temos de encontrar o caminho para viabilizar um Estado mais flexível, menos perdulário e menos burocrático. A dificuldade de sustentação das despesas do governo é um problema histórico, que precisa de solução. É hora de tomar medidas corajosas, acabando também com os privilégios no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Os empresários não se devem deixar imobilizar pelo excesso de cautela, e sim manter o planejamento de investimentos, buscando novos nichos para expandir operações e testando inovações, que podem trazer diferenciais importantes para o futuro do negócio.

Para tanto, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, precisa cumprir a promessa feita nesta sexta-feira de que a retomada da atividade econômica irá se fortalecer nos próximos meses, ao garantir que o Brasil entrará em 2018 num ritmo forte e constante para que essa expansão seja longa e duradoura, gerando emprego e renda para os brasileiros.

Bem, como não nem tudo são flores, a retomada da economia dependerá muito da classe política, principalmente se ela entender que passou da hora de acabar com o balcão de negócios no Congresso Nacional.


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