EBM cresce farejando crises e correndo delas

EBM cresce farejando crises e correndo delas

27 de junho de 2017

Qual o segredo para enfrentar crises na economia ou de mercado? Para a EBM Desenvolvimento Imobiliário a resposta é simples: corra delas! Mas na resposta simples está uma aguçada capacidade de seus empreendedores de farejarem problemas onde a empresa atua e turbulências econômicas no horizonte.  Depois, na velocidade de tomar decisões e mudar a rota e locais dos negócios. E assim foram muitas que a empresa goiana conseguiu evitar ao longo dos seus 35 anos.

A EBM está entre as 60 maiores construtoras do País, segundo o ranking Inteligência Empresarial da Construção de 2017. A empresa goiana ocupa o 51º lugar. O reconhecimento se deu por conta dos mais de 235 mil m² desenvolvidos pela EBM em 2016, entre oito empreendimentos comerciais, residenciais ou mistas. As obras consideradas pelo prêmio estavam nas etapas de estrutura, acabamento ou foram finalizadas no ano passado.

Elbio Moreira: “Prudência é um dos principais valores da nossa empresa.”

Presidente do grupo goiano, Elbio Moreira afirma ao EMPREENDER EM GOIÁS que saber como lidar com as oscilações dos mercados imobiliários de Goiânia, Brasília e São Paulo foi a grande sacada da EBM para expandir seus negócios. “Por incrível que pareça, mesmo com o cenário atual do País, vamos crescer mais que o ano passado”, confia o empresário.

A primeira grande crise no mercado imobiliário que a EBM conseguiu antecipar (e correr dela) foi na virada da década de 80 para a de 90 causada pela maior construtora do Brasil na época: a goiana Encol. Qual foi o indício percebido? Os preços praticados pela empresa começaram a sair da curva média do mercado, numa clara necessidade de fazer caixa para honrar compromissos financeiros. Na época a Encol tinha, só em Goiás, 60% do mercado. Seu iminente tombo iria gerar impacto de grandes proporções no setor. Este prognóstico se confirmaria.

Antes disto acontecer, a EBM decidiu migrar para outros mercados. Em 1989, entrava em Brasília. Dois anos depois em São Paulo, onde chegou a ser considerada a quarta maior empresa do segmento paulista. “Tínhamos de 10 a 12 empreendimentos em Goiânia e ficamos apenas com um. Já em São Paulo havia carência de construtoras e fizemos muitas parcerias, o que nos ajudou a crescer muito na época e depois”, afirma Elbio Moreira.

No final da década de 90, a EBM fareja novamente problemas à vista. Com a abertura do capital das grandes construtoras, que receberam grandes aportes de recursos, ficaria inviável e perigoso enfrentar esta concorrência. Decisão: retornar para Goiânia e, em pouco tempo, chegou a ter 30% do mercado.

“Mas temos notado alguns sinais no mercado de Goiânia que podem nos levar a mudar novamente a rota da EBM”, diz o empresário, sem entrar em detalhes.

Prevendo que a atual crise econômica do País não seria passageira, a EBM decidiu reforçar seu caixa. Reconhecida por seus empreendimentos de alto padrão, também entrou (com uma subsidiária) no chamado segmento econômico, inclusive no do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Outro acerto da empresa foi diversificar suas atividades, diluindo os riscos, mas todas tendo sinergia para não perder o foco. Passou a atuar no segmento de propriedades com a construção e gestão de 4 malls (como o Atom Business Style), tendo mais um em obra no Setor Fama, polo de moda em Goiânia. Passou a investir no segmento de loteamentos e urbanismo em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Além de expandir seu portfólio de incorporações.

“Mas continuamos a observar o mercado de Goiânia”, frisa Elbio Moreira.

Existe um mantra na cultura gerencial da EBM que está em destaque numa placa na parede da sala de reuniões na sede em Goiânia: Prudência. “É um dos principais valores da nossa empresa”, frisa o presidente, apontado para a placa. 

Início da EBM

Formado em engenharia civil em 1979, Elbio Moreira trabalhou em São Paulo e no Rio de Janeiro até receber uma “proposta irrecusável” para trabalhar na Encol em Goiânia. Mesmo assim, não durou muito no emprego. “Tinha 27 anos, era solteiro e não tinha filhos. Decidi que era o momento de arriscar e abrir minha própria empresa. Hoje acho que foi até uma decisão irresponsável”, conta aos risos. O primeiro sócio foi o pai Bento Moreira, inicialmente contra a decisão do filho, que era funcionário público federal.

Iniciava a história da EBM – iniciais dos nomes do filho, do pai e do sobrenome da família. Claro, com dificuldades como todo início de novo negócio. “Não havia sistema financeiro de habitação. Fazíamos obras praticamente a preço de custo”, conta Elbio. Em 1983 a empresa entrega seu primeiro prédio, o Cleveland, no Setor Bueno, na época uma região não valorizada em Goiânia como hoje. No final da década de 80 a empresa passa por mudanças societárias. O pai deixa o negócio e entra o irmão Bento. Sim, o mesmo nome do pai. Isto mantém o nome (e o faro para prever crises) da EBM até hoje.

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