Mercatto queria ser um botequim e virou uma rede gastronômica

Mercatto queria ser um botequim e virou uma rede gastronômica

3 de junho de 2017

Marcelo: o estilo de botequim carioca alavancou crescimento do Mercatto em Goiânia

O primeiro restaurante Mercatto foi aberto com investimento inicial de R$ 50 mil, num pequeno espaço de 60 metros quadrados no Shopping Eldorado, em 2006. Dez anos depois a quarta unidade era inaugurada em Goiânia já com um investimento de R$ 1,2 milhão. É a história dos empreendedores goianos Marcelo Manata e Alice Rodrigues, que tomaram a decisão nada fácil de deixar suas carreiras profissionais na área de comunicação (ambos trabalhavam no Grupo Jaime Câmara) para realizarem o sonho de abrir o próprio negócio. Não se arrependem.

“Chamamos de Mercatto (mercado em italiano) porque queríamos englobar tudo. É um lugar que se pode ir despojadamente, comer um pastel e tomar um chopp ou saborear uma paella e acompanhada de um vinho”, conta Marcelo, que chama de botequim carioca o conceito inaugurado por sua empresa.

Antes de se tornarem empresários, Marcelo trabalhava como editor de imagens na TV Anhanguera e no canal Sport TV e Alice no jornal O Popular. Aliás, foi neste período que se conheceram e casaram. De ascendência europeia, ele herdou o gosto pela culinária que o acompanhou desde a infância. Ainda no período que era empregado, Marcelo fez cursos de gastronomia já embalado no sonho de abrir o próprio restaurante. Sua sócia Alice estudava administração e mostrava talento para aprender rápido.

Nesse momento surgiu a vontade de encarar um novo desafio.  “A gente quer sempre crescer. A TV foi algo que aprendi, acho fascinante. A gastronomia, porém, é um dom e decidi por esse desafio de empreender”, diz Marcelo ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Em 2006 inauguravam a primeira unidade Botequim Mercatto, com 60 metros quadrados, três funcionários (um cozinheiro, um no balcão e um garçom) e investimento de R$ 50 mil, dinheiro da rescisão do emprego. Marcelo ajudava no atendimento e na cozinha, Alice cuidava do caixa e compras.

A ideia inicial foi montar uma casa de empadas, por causa da ascendência portuguesa (é neto de portugueses) e da quantidade de estabelecimentos deste tipo no Rio de Janeiro. Marcelo e Alice, porém, acharam que o mercado seria muito limitado ao vender apenas um tipo de produto. Decidiram pelo conceito de botequim.

Um exemplo do novo conceito é que a cozinha do Mercatto nunca fecha. “Abrimos sempre às 11 horas, mas o cliente pode chegar às 16 horas e pedir qualquer prato do cardápio que fazemos na hora. O Rio é uma cidade cosmopolita, tem turista o tempo inteiro. Nós trouxemos esta cultura para cá”, explica Marcelo.

A decisão de investir os (poucos) recursos no Plaza D´Oro Shopping, na região Sudoeste de Goiânia, surgiu depois dos sócios levantarem por conta própria (não havia dinheiro para pagar pesquisas de mercado) o potencial da região. Logo descobriram que havia bom potencial de crescimento, com a expansão de condomínios residenciais verticais, consumidores com bom poder aquisitivo e pouca oferta na área gastronômica.

“Crescemos com a região, com o próprio bairro. Quando montamos o restaurante haviam 40 ou 50 prédios residenciais. Hoje são mais muito mais torres. Tem também condomínios fechados próximos. Os clientes foram conhecendo o Mercatto, viram a qualidade nos nossos produtos e atendimento, e nos indicavam para amigos e parentes de Goiânia. Crescemos sem nunca gastar com propaganda até hoje”, afirma.

 

 

Meta dos empresários é consolidar a quarta unidade do Mercatto e, no futuro, expandir para outras metrópoles do País

O pulo do gato aconteceu dois anos depois de aberto o primeiro restaurante, quando os sócios decidiram participar, inicialmente sem muita expectativa, do concurso de petiscos Comida Di Buteco. O prato servido pelo Mercatto ficou em segundo lugar, o que atraiu clientes de outras regiões da capital a terem curiosidade em conhecer o botequim carioca de Goiânia. A unidade no Plaza D´Oro Shopping logo ficou pequena para atender a grande demanda.

Três anos depois, em 2009, os sócios decidiram abrir a segunda unidade do Mercatto e a escolha se deu pelo Setor Bueno. Novamente, realizaram pesquisa de mercado e fizeram oferta de compra de um pequeno restaurante na Rua T-36. Não pararam mais de crescer. Em 2013, já reconhecidos no mercado pela qualidade e bom atendimento, foram sondados pelo Flamboyant Shopping para abrirem uma unidade no centro de compras, que investia na época na criação de um novo polo gastronômico em Goiânia.

Mas ainda não era suficiente. No ano passado inauguraram a quarta unidade, no Setor Bueno, a menos de 200 metros do restaurante aberto em 2009. O investimento total (reforma, decoração, instalações, etc) já superava a casa de R$ 1 milhão. “Percebemos que as pessoas gostam de ficar nos nossos restaurantes por muito tempo, algumas até 12 horas. Estávamos sempre lotados e os clientes começaram a reclamar da dificuldade de encontrar uma mesa disponível. Um concorrente da esquina (na Rua T-36) nos procurou para oferecer seu o ponto. Decidimos arriscar e abrir a quarta unidade. No dia da inauguração o restaurante já ficou lotado”, conta o empresário.

Dificuldades

Na trajetória de dez anos do Mercatto, Marcelo revela que dificuldades sempre existiram como qualquer negócio. Mas destaca a falta de capital e o pouco conhecimento em gestão empresarial. O investimento inicial para a primeira unidade veio todo do acerto salarial ao deixar o emprego na TV Anhanguera. “Até surgiram oportunidades para crescermos mais rápido, mas a falta de capital nos impedia naquele momento”, diz o empresário.

Para driblar a falta de experiência para administrar um restaurante, foi preciso muita força de vontade. “Não tínhamos conhecimento algum, aprendemos na raça. Fizemos mais na dedicação, na força de vontade. Eu tinha conhecimento em gastronomia, Alice em administração, mas tinha muito mais o lado de querer vencer”, ressalta.

A receita do sucesso, segundo Marcelo, é empreender com paixão, trabalhar muito, ter os pés no chão e inovar. Também não esquece de agradecer os amigos que ajudaram no início de tudo. Um em especial foi o arquiteto Flávio Paraguassu. “Ele abraçou a nossa causa, acreditou na gente. Abriu portas ao nos apresentar em eventos de arquitetura, como a Casa Cor, e sempre levando novos clientes para os nossos restaurantes”, diz.

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3 thoughts on “Mercatto queria ser um botequim e virou uma rede gastronômica”

  1. Avatar Walter de Paula Castro. disse:

    Alice Rodrigues e Marcelo Manata, são guerreiros que junto com a inovação, muito trabalho, fidelidade aos clientes, colaboradores e fornecedores, souberam criar uma atmosfera construtiva. Todo o sucesso e valoroso apreço que a clientela tem pela marca Mercatto é merecido por essas duas estrelas. Parabéns!

  2. Avatar Anderson Tavares Domingos disse:

    Sucesso é o resultado de um trabalho bem feito, executado de uma maneira inteligente.

  3. Avatar Anderson Tavares Domingos disse:

    Sucesso é o resultado de um trabalho bem feito, realizado de uma maneira inteligente.