Já pensou levantar capital para sua empresa na Bolsa?

Já pensou levantar capital para sua empresa na Bolsa?

20 de maio de 2017

Não é mais preciso estar nos principais centros financeiros do País, como São Paulo e Rio de Janeiro, para conseguir levantar capital através da Bolsa de Valores para a expansão do seu negócio. “É possível ter acesso a mais capital para que as nossas empresas cresçam. O Centro-Oeste e o Norte do País são as novas fronteiras de expansão do mercado”, afirma Camila Hermano, sócia-diretora do escritório goiano Hermano Advogados, especializado em direito internacional.

Gustavo Benatti, executivo da B3 (fruto da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip), que administra R$ 2,7 trilhões em ações, diz ao EMPREENDER EM GOIÁS que as empresas do chamado segmento de middle market, com faturamento anual de R$ 50 milhões a R$ 500 milhões, têm plenas condições de lançar papéis no mercado de ações. Benatti explica que há dois tipos de captar recursos neste mercado: com lançamento de debêntures (títulos de dívidas) ou de ações em que o comprador (investidor) se torna sócio do negócio.

Decidir o que é mais vantajoso para a empresa depende das intenções dos sócios. Se não quiser dividir as decisões da empresa com terceiros, por exemplo, é recomendável lançar debêntures que, na prática, a empresa pagará juros sobre o papel comprado pelo investidor.

A outra opção, que não acarreta em pagamento de juros futuros, é realizar o lançamento de oferta pública inicial (conhecido pela sigla em inglês IPO) e abrir o capital da sua empresa. Mas lançar ações na Bolsa, porém, exige várias mudanças na gestão do negócio.

“Toda empresa passa por três fases. Ela começa no empreendedorismo, que é ter a ideia. Depois, passa por uma expansão e, se cresce demais, chega a um momento de fragmentação, que é quando ela precisa se profissionalizar”, afirma a sócia-diretora da Condere, Mônica Molina, ao EMPREENDER EM GOIÁS.

A profissionalização é obtida por meio da governança corporativa, que consiste em adotar práticas internas que permitam que todas as decisões sejam baseadas no interesse da empresa e dos sócios. “Transparência hoje é fundamental para adquirir a confiança do mercado”, argumenta Molina. “Não adianta uma empresa que vende produtos de origem animal seguir as regras à risca se um fornecedor usa trabalho escravo ou pastagens em áreas ambientais. Todos serão responsabilizados”, frisa .

 

José Ricardo Martins e Rafael Presotto destacaram a importância da governança corporativa

A decisão de adotar essas regras, porém, não é fácil. “Muitas empresas são familiares, o que acaba dificultando a aceitação de substituir um filho que trabalha na gerência administrativa por um executivo formado e preparado só para adotar essas medidas”, argumentou José Ricardo Martins, executivo da Peixoto & Cury Advogados, empresa paulista que atende empresas interessadas em captar recursos por meio do mercado de ações.

“A governança corporativa facilita o acesso ao mercado, já que adota uma série de regras e cuidados que servem para dar confiança ao investidor. Com ele confiante, o aporte de capital será mais fácil, o que, por sua vez, vai ajudar na perpetuação do negócio”, enfatiza Rafael Presotto, também executivo da Peixoto & Cury Advogados.

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