O nosso cérebro é exposto e invadido todos os dias por uma gigantesca quantidade informações, exigindo uma velocidade de assimilação que não estamos acostumados a ter. O estudo A universe of opportunities and challanges (ou Um universo de oportunidades e desafios, na tradução em português), elaborado pela consultoria internacional EMC, mostra que, em 2010, o volume de dados digitais criados, replicados e consumidos no mundo foi de 988 exabytes (ou 988 bilhões de gigas). A expectativa é que este número suba ainda mais no próximo ano e alcance a incrível marca de 40 mil exabytes (ou 40 trilhões de gigabytes).

Essa enorme e constante geração de dados requer, o tempo todo e de pessoas de todas as gerações, uma rápida adaptação ou “atualização” do nosso “software” biológico. Essa é uma habilidade que na área de Desenvolvimento Humano chamamos de Agilidade de Aprendizagem, uma competência cada vez mais exigida no mercado de trabalho e no mundo corporativo, e que se refere às pessoas que estão sempre abertas para aprender com a novidade, com os novos desafios.

O problema é que, apesar de estar entre as habilidades mais requisitadas num processo de seleção, ainda são poucos os profissionais que a têm. De acordo com pesquisa do instituto Korn Ferry, de 2014, apenas 15% da força de trabalho no mundo desenvolveu essa competência. Mais raras, pessoas com essa característica específica são responsáveis por aumentar em até 25% a lucratividade das companhias em relação aos concorrentes, daí o porquê de ser uma qualidade tão disputada e valorizada entre as empresas.

O profissional com agilidade de aprendizagem possui características fundamentais que os diferenciam em relação aos demais. São pessoas que lidam bem com o inesperado, identificam erros e conseguem fazer as adaptações de maneira rápida e contínua. Além disso, valorizam o aprendizado e o retorno (feedback) que recebem dos outros. Nesse sentido, apesar de ser excelentes alternativas, cursos de aperfeiçoamento, graduação e pós-graduação não podem ser vistos como as únicas opções para essa atualização de conhecimentos. A experiência sem o peso da frustração do erro, que pode sim ocorrer, é fundamental; a convivência com profissionais de outras áreas também.

Vale destacar que a agilidade de aprendizagem está mais ligada a aspectos comportamentais, do que com a questão do quociente de inteligência (Q.I.). Nos dias de hoje, e no futuro será ainda mais, o aprendizado deve ser contínuo e rápido. Para isso, devemos estar na condição de eternos iniciantes, como as crianças que sempre estão abertas para aprender com as novidades, não temem errar e se esforçam continuamente para assimilar o que a vida traz de novo todos os dias. O mais ágil não é necessariamente o mais inteligente, mas o curioso e corajoso, ou seja, aquele que está aberto às novas ideias e sempre está assumindo desafios, mesmo quando não possui todas as habilidades e características para tal.

Assim como uma criança, com seus três ou quatro anos, que explora o mundo avidamente e que diferente de nós adultos não teme aprender com o novo, com o desconhecido, é preciso se livrar de amarras e preconceitos que só travam a atualização desse nosso “software” biológico. É claro, que quando digo que precisamos estar sempre abertos ao novo, não significa que devemos aceitar e acreditar em tudo o que vemos e ouvimos, ou abrir mão de toda nossa experiência profissional, nossa história de vida, afinal, isso continua valendo, e muito, no mercado de trabalho.

Lidar com mudanças passou a ser nossa rotina diária, e quem resiste a elas já está em desvantagem. Devemos ter em mente que: o que aprendemos pode e sempre será aprimorado, até porque, todo novo conhecimento parte de outro formulado anteriormente, toda boa ideia nasce de outra ideia. Ou seja, a novidade é um fluxo constante, desde que há milhares de anos resolvemos sair das cavernas e explorar mundo afora.


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