Ricardo Amorim: “O Congresso é um dos principais culpados pela situação econômica do País” (foto de Cristiano Borges)

“A não aprovação da reforma da Previdência afundaria o País numa nova severa crise econômica”, afirmou o economista, apresentador e consultor Ricardo Amorim em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS, durante o Gran Health Conference, evento voltado para a comunidade médica, profissionais de saúde e empresários do setor imobiliário, realizado na quarta-feira (22) à noite em Anápolis. Amorim acredita que o projeto será aprovado pelo Congresso Nacional até o terceiro trimestre deste ano.

O economista, que integra o time de comentaristas do programa Manhattan Connection da Globonews, disse que o Brasil pode afundar de vez se o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional não se acertarem. Para ele, o Congresso é um dos principais culpados pela situação econômica do País. “O setor privado cansou de sofrer com a crise e quer fazer a sua parte. Precisamos cobrar do governo e da classe política condições para que isso aconteça”, frisou. Confira os principais trechos desta entrevista exclusiva:

Há o risco de o Brasil entrar numa nova recessão caso a reforma da Previdência não seja aprovada pelo Congresso? 
Sem dúvida. A não aprovação da reforma da Previdência afundaria o País numa severa crise. O que iria reacender a ira da população, que sairia numa caça às bruxas, repercutindo negativamente no cenário político. Mas, acreditamos que até o terceiro trimestre deste ano, seja aprovada e colocará em ordem as contas públicas. Com isto, não teremos impeditivo para o crescimento. Já resolvemos os problemas da inflação e da balança externa. Precisamos resolver agora o fato de que o governo ainda gasta mais dinheiro do que é capaz de arrecadar.

Outra pauta importante é a reforma tributária, que também tramita no Congresso. Acredita que será aprovada logo?
A reforma tributária tem uma importância gigantesca para a nossa economia. Será por meio dela que iremos melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Mas, na minha avaliação, acho que deve ser feita após a reforma da Previdência, pois o Brasil já tem impostos demais. Entre 156 países emergentes, somos o terceiro que mais cobra impostos. Se não fizermos a reforma da Previdência antes, o déficit continuará tomando recursos de outras áreas e gerando aumento de impostos para cobrir o rombo.

O que o presidente Jair Bolsonaro poderia fazer para tornar o governo viável, tendo em vista que recentemente ele próprio chegou a dizer que o País é “ingovernável”?
Apesar de o governo ter uma equipe técnica de qualidade em vários ministérios chaves, vemos uma péssima relação dele com o Congresso. É um grande problema. O presidente Bolsonaro foi eleito justamente pela proposta de mudar a relação com o Congresso. Após assumir, ele estabeleceu o fim do “toma lá dá cá”, mas faltou combinar com os congressistas. Eles, por sua vez, sabem que têm muito poder em relação ao governo. Se aprovam a reforma da Previdência, o Brasil irá crescer mais e isso aumenta as chances de reeleição do presidente. Se não for aprovada, a chance de reeleição cai a zero e talvez ele nem chegue ao final do seu mandato. Portanto, o presidente da República precisa do Congresso para o sucesso do seu governo. Bolsonaro não está querendo entrar na negociação com eles, mas de alguma forma terão que se acertar. Se isso não acontecer, o Brasil afunda e leva junto todos eles.

– O Congresso é também um dos culpados pela situação econômica brasileira?
O Congresso é um dos principais culpados pela situação econômica do País. Eu diria que, em geral, seria a classe política. Isso envolve o poder Executivo, mas também o Congresso que é cúmplice, no mínimo, se não for o principal culpado pela situação em que estamos. Vale lembrar que hoje temos inúmeros congressistas investigados por suspeitas de corrupção.

De que forma os investimentos privados no segmento de saúde são importantes no contexto atual?
O Brasil está vivendo um momento com significativo aumento da expectativa de vida da população. Esse fator gera alta na demanda por alguns serviços, principalmente dos segmentos de saúde e imobiliário. Projeto do tipo do Gran Life Medical Complex, em Anápolis, que agregará hospital, residencial, shopping e serviços, revela que a economia brasileira está entrando em recuperação. O crescimento, ainda que pequeno, vem se sustentando há oito trimestres. Por isso, o empresário continua acreditando, assim como eu. O setor privado cansou de sofrer com a crise e está querendo fazer sua parte. Precisamos cobrar do governo e da classe política condições para que isso aconteça. Quanto aos investimentos, existem setores que apresentam tendências de expansão e esse é o caso da saúde.


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1 comment

  1. Vera Maria Menna Barreto Responder

    Ricardo, sempre lúcido e nos passando seus preciosos conhecimentos.