Paulo Afonso, presidente da CNI: desemprego elevado e incertezas no campo político retardam a recuperação da economia

Pela nova vez seguida, o Banco Central não alterou os juros básicos da economia e, por unanimidade, o Comitê de Política Monetária manteve na quarta-feira (08/05) a taxa Selic em 6,5% ao ano. Com a decisão, esperada pelo mercado, a Selic se manteve no menor nível desde o início da série histórica do BC, em 1986. Apesar da decisão, o BC aumentou o tom de preocupação com o ritmo de recuperação da economia brasileira. Para alguns analistas, o fraco desempenho da atividade pode levar o Copom a reduzir os juros no futuro, mas o colegiado mais uma vez pregou “cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis”.

Presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, avaliou que a alta do dólar, as incertezas em torno da reforma da Previdência e a inflação ultrapassando o centro da meta de 4,25% fixada para este ano foram decisivas para a manutenção dos juros. Para ele, os sinais de desaquecimento da atividade econômica e o desemprego elevado indicam a necessidade de redução da taxa Selic. “A queda dos juros é indispensável para estimular o crescimento da economia brasileira e a criação de empregos”, disse em nota.

No comunicado divulgado logo após a decisão, no começo da noite de quarta-feira (08/05), o Copom destacou que o risco de uma inflação menor devido ao fraco desempenho econômico se elevou desde a última reunião, em março. O Comitê também avaliou que os indicadores recentes da atividade econômica sugerem que a perda de dinamismo observada no final de 2018 teve continuidade no início deste ano. No último Relatório Focus, publicado na segunda-feira, os economistas ouvidos semanalmente pelo BC reduziram a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,70% para apenas 1,49%. Já são dez semanas consecutivas de redução das estimativas dos analistas para o desempenho da atividade em 2019.

Ainda assim, o BC voltou a avaliar ser importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado, como a greve dos caminhoneiros, as incertezas do período eleitoral e a crise na Argentina.

Mas, diferentemente das comunicações anteriores, o BC desta vez destacou que deve esperar a “redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta”. “O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo”, completou o documento. (Com agências)


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