Para Jefferson Rocha, da P di Pizza, a participação nas aulas ajudou a trazer novas perspectivas para o negócio e a trocar experiências

A primeira década de vida da P di Pizza, comemorada no ano passado, representou para o empreendedor Jefferson Rocha dois desafios: revitalizar a marca e manter a clientela conquistada ao longo do tempo de operação. “O público mudou, envelheceu, o mercado mudou. Quem frequentava há dez anos reclamava que já tinha filho e que não tinha uma brinquedoteca”, exemplifica.

No final de 2017, ele encontrou em sala de aula as respostas para as demandas. É que o seu negócio se tornou objeto de estudo da turma do MBA em Gestão de Marketing e Análise de Consumo, especialização ligada ao ADMKT, Grupo de Pesquisa e Extensão em Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

No final de 2018, as ideias que surgiram na academia ganharam vida. Jefferson decidiu fechar a unidade da Avenida Ricardo Paranhos e abrir uma nova, no Jardim Atlântico. “Nos adaptamos para não perder os antigos clientes. Estamos também ganhando novos”, diz. A mudança física, explica, foi precedida de um reposicionamento no mercado que ajudou a definir a localização e o ponto da nova P di Pizza. “Também tivemos uma modificação na estrutura societária que levou a mudanças na operação. Só na obra [do Jardim Atlântico] gastamos três meses”, enumera, citando que o espaço conta, por exemplo, com uma brinquedoteca.

Marcos Severo e Ricardo Limongi : “Nas imersões, os alunos discutem os problemas e apresentam soluções para as questões dos negócios”

O empreendedor foi convidado para apresentar seu negócio aos pós-graduandos pelo professor Ricardo Limongi, coordenador do MBA e fundador do ADMKT junto com o docente Marcos Severo. Ao EMPREENDER EM GOIÁS, Limongi explica que o curso já nasceu com a intenção de fomentar a relação entre mercado e academia. “Ele é baseado em nossa experiência internacional. Nas imersões, os alunos discutem os problemas e apresentam soluções para as questões dos negócios”, detalha.

O pesquisador avalia que a ida à sala de aula ajuda os empreendedores a romperem uma barreira importante para o desenvolvimento dos seus negócios: a detecção dos gargalos. “Muitos têm dificuldade para explicar os problemas. Na universidade, eles encontram um ambiente diferente, com encontros direcionados e uma visão isenta sobre o negócio”, pondera.

Interação
Para Jefferson Rocha, da P di Pizza, a participação nas aulas ajudou a trazer novas perspectivas para o negócio. “Conheci gente nova”, comemora, citando a troca de experiências com pessoas como o empreendedor André Beleza, do Bistrôgonofe, casa especializada em estrogonofe, saladas e sobremesas.

Aluno do MBA e formado em Administração, André Beleza aplicou os aprendizados da universidade e sentiu o resultado nas vendas. O ticket médio de consumo subiu de R$ 32 para R$ 38; pratos que eram sazonais foram incorporados ao cardápio e outros, antes fixos, excluídos após um período de testes em que ele avaliou diferentes formas de se comunicar no ambiente online e off-line.

André Beleza aplicou os aprendizados da universidade e sentiu o resultado nas vendas. O ticket médio de consumo subiu de R$ 32 para R$ 38

Um exemplo foi o que aconteceu com uma sobremesa lançada no ano passado, no período de festas de juninas. “Notamos que não estava saindo. Colocamos uma imagem [na loja, para divulgar o produto]. Depois, colhemos informações e percebemos que houve uma aumento não só na venda e no ticket médio, mas ela se tornou uma opção tão pedida quanto as outras”, diz, explicando que a sobremesa foi inserida definitivamente no cardápio. “Tiramos apenas o pé de moleque, deixamos o doce de leite e a paçoca e demos o nome de sobremesa de paçoca”, completa.

Para André Beleza, o uso assertivo de informações que já estavam disponíveis em seu negócio foi o principal ganho dos estudos na especialização e no grupo de pesquisa da UFG. Ele frisa que a tomada de decisão baseada em dados gera um efeito cascata positivo que inclui a simplificação de processos, por exemplo. “Tento trabalhar na contramão, de certa forma, pois temos com um cardápio cada vez mais reduzido. Temos opções em outro sentido: vegana, vegetariana, sem lactose. Cada produto tem um processo. Com poucos processos, um funcionário aprende mais fácil”, relaciona.


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