Do total de empreendedores em Goiás, as mulheres representam 34,4%, somando 336,7 mil donas de negócios

As mulheres estão cada vez mais presentes no mundo dos negócios, mas ainda penam mais do que os homens para verem seus empreendimentos obterem sucesso. Além de seguir enfrentando a jornada dupla casa-trabalho, as mulheres empreendedoras encontram barreiras de vários tipos, inclusive culturais, em suas caminhadas como empresárias.

É o que revela o mais recente perfil do empreendedor no Brasil por gênero, realizado pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) com apoio do Sebrae Nacional. O trabalho é realizado com base na metodologia do “Global Entrepreneurship Monitor (GEM)”, principal pesquisa sobre empreendedorismo no mundo.

Os dados (de 2018) mostram que o Brasil teve a sétima maior proporção de mulheres no total de empreendedores iniciais entre os 49 países pesquisados (em 2017 havia ficado em terceiro lugar). São 24 milhões de brasileiras empreendedoras contra 28 milhões de homens empreendedores. A pesquisa considera empreendedor a pessoa que já possui um negócio (formal ou informal) ou que esteja criando um. E empreendedor inicial é o negócio com até 3,5 anos de vida.

Nesse universo feminino, o estudo aponta que 70% não possui CNPJ, 25% exerce a atividade dentro da própria casa e ganha 22% menos do que o homem empreendedor, apesar de terem escolaridade mais alta (16% maior do que a dos homens). Em 2018, o levantamento brasileiro ouviu duas mil pessoas de 18 a 64 anos.

Isabela Hanashiro, empresária do ramo de joias em prata

Goiás

O recorte regional da pesquisa mostra que do total de empreendedores em Goiás, as mulheres representam 34,4%, somando 336,7 mil donas de negócios. Apenas 31% dos negócios tocados por elas possuem CNPJ, 44% exercem a atividade empresarial em lojas, escritórios ou galpões e 32% utiliza a própria casa para tocar o negócio.

No quesito renda, 44% tem rendimento médio mensal de até 1 salário mínimo e 28% entre 1 e 2 salários mínimos. Outro dado relevante do perfil da empreendedora goiana aponta que 48% dos negócios da categoria Microempreendedor Individual (MEI) no Estado são liderados por mulheres, que atuam em atividades de beleza, moda e alimentação.

É o caso de Isabela Hanashiro, empresária do ramo de joias em prata produzidas artesanalmente que faturou em 2017 o prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria MEI. Ela começou em 2005, vendendo entre amigos as primeiras peças que produziu. Com o aumento da aceitação, resolveu investir num curso de ourivesaria. Pouco depois, ela fez faculdade de design de joias e gemas e entrava de vez na fabricação personalizada de brincos, anéis, pulseiras, colares, pingentes e várias outras peças em prata, algumas ornadas com pedras.

Durante 10 anos, ela manteve o trabalho informal, no intuito de conciliá-lo com o acompanhamento da educação das filhas. E essa não foi a única dificuldade inicial do negócio, contou ela ao EMPREENDER EM GOIÁS numa entrevista feita por aplicativo de mensagem de celular.
“Não foi fácil trabalhar na área da ourivesaria, na compra de metal, pedras, negociar valores de mão de obra terceirizada. Vejo um preconceito na forma como sou tratada e na hora de negociar os valores. Vejo também como as pessoas ficam admiradas quando falo que faço joias do começo ao fim, a joalheria autoral. Acredito que isso acontece porque é uma profissão mais frequente entre os homens do que entre as mulheres”, disse Isabela.

Gerir bem o negócio foi outro desafio que ela teve que aprender, diz. No início, não tinha controle das finanças e estoque, ia fazendo e vendendo. Isabela, que já tinha formação em administração, buscou mais apoio em consultorias e passou a cuidar melhor do caixa, estoque, cadastro de clientes e planejar melhor as coleções e produções da Ateliê de Prata, nome que ela substituiu depois para Isabela Hanashiro Prata Design.

Já estabelecida no mercado, Isabela diz que agora quer aumentar o faturamento, que ela evitar revelar, buscando novos parceiros para ampliar o leque de produtos e captar novos clientes na Grande Goiânia. Às novas candidatas a empreender, ela deixa uma dica. “Conhecer bem o segmento que quer atuar. Quanto mais conhecer o nicho que quer atuar maiores são as chances de ser vista e reconhecida no mercado”, sugere.

“Hoje, temos escolhas. Temos outros papeis a exercer”, diz a consultora Karina Duarte Lopes

Obstáculos
Apesar de serem as que mais abrem empresas, as mulheres ainda encontram obstáculos que fazem com que tenham muito mais trabalho em manter seus negócios do que os homens, como a dupla jornada. Outro empecilho é que culturalmente no Brasil, as mulheres não foram estimuladas a ocupar o território das finanças e dos negócios.

“Por séculos, nós mulheres tínhamos um papel bem definido na sociedade, casar, procriar e cuidar da família, e nada mais além disso. Hoje, temos escolhas. Temos outros papeis a exercer”, explica a especialista em gestão organizacional e desenvolvimento humano Karina Duarte Lopes
Karina pondera que há outros comportamentos, típicos de muitas mulheres, que podem ser trabalhados para não atrapalhar seu empreendedorismo. Por exemplo, a tendência que as mulheres costumam ter em pensar pequeno sempre que vão empreender. “No começo isso é até normal, mas à medida que o negócio cresce e se desenvolve, a mulher tem que saber investir. Quem não investe para crescer, está fadado ao fracasso”, frisa a consultora.


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