Érika e Salmo na loja no Mega Moda Shopping onde comercializam roupas, calçados e acessórios femininos

Inspirados na estética afro-brasileira, o casal de afroempreendedores Salmo Silva (50 anos) e Érika Pereira (29 anos) comemora a concretização de um projeto de pelo menos três anos: em fevereiro inaugurou a loja física da Salmo Silva e Njinga Moda Afro, no Mega Moda Shopping, para comercializar roupas, calçados e acessórios femininos que antes eram vendidos apenas pelo Instagram e na residência deles, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia.

Quando se conheceram, há cinco anos, Salmo e Érika uniram a afinidade pela moda para montarem o próprio negócio. Em 2012, quando terminou a faculdade, Érika pediu demissão do trabalho. “O empreendedorismo surgiu como uma forma de conseguir autonomia financeira para mim e minha família”, diz Érika, que foi modelo na adolescência e é formada em Tecnologia em Hotelaria pelo Instituto Federal de Goiás (IFG).

Foi durante a formação acadêmica, aliás, que a empreendedora se envolveu em debates sobre a identidade negra. “[Nas roupas] falo de mim mesmo, da minha comunidade. Participar desses espaços me deu condições de aprofundar a estética negra, a moda africana e a afro-brasileira”, ressalta a jovem, que foi cofundadora do Coletivo de Negras e Negros do IFG.

Mineiro radicado em Goiás desde 1995, quando se mudou para trabalhar como instrutor em calçados, Salmo começou a trabalhar com a confecção desse tipo de peça do vestuário ainda na adolescência. “Aprendi a fazer no chão de fábrica. O curso técnico me deu recursos para desenvolver produtos. Já o de Design de Moda me deu ferramentas de tendência, de estilo. Cada etapa teve um papel”, relembra.

A parte da criação, explica ele, é fundamental para diferenciar os produtos da Salmo Silva e Njinga Afro dos demais. Ao mostrar um sapato com bico retrô, por exemplo, o empreendedor explica que a forma é inspirada no movimento Black Power, que ganhou força na década de 1970, que tinha um sapato chamado cavalo de aço. “Esse calçado era um elemento que constituía o visual black e tinha esse tipo de bico, que mostra força, poder”, diz.

O mix ofertado pela Salmo Silva e Njinga Moda Afro tem sapatilhas e rasteirinhas, cuja produção é terceirizada; turbantes – indumentária que remete a ancestralidade negra – e vestidos. “Estamos desenvolvendo sandálias e botas de cano curto”, informa, explicando que a empresa não utiliza couro na produção dos calçados. “Usamos PVC, poliuretano e algodão. Queremos minimizar o impacto ambiental”, diz.

Para Érika, a loja deve aumentar a sinergia entre os produtos oferecidos. “O processo de venda físico dá mais possibilidade para aprofundar o que o empreendedor quer transmitir com seu negócio. Roupa também é sentimento, identidade”, enfatiza. Ela explica que a estamparia utilizada tem inspiração africana, afro-brasileira e afro-ameríndia. “Usamos tecidos leves, pensando no cotidiano, no conforto, e temos um estilo despojado”, define.

Salmo explica que a escolha do ponto comercial foi planejada. “Observamos a necessidade de um ponto físico para a referência do cliente. Calçado, principalmente, ele quer ver, experimentar. A 44 é um polo nacional de moda, com clientes do Brasil inteiro”, explica. O casal já traça novas metas para o negócio. Até o final do ano, calculam triplicar o faturamento, aumentar a qualidade e o mix de produtos oferecidos. “Em dois anos, queremos abrir lojas em outros Estados”, informa Salmo.


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2 comments

  1. Dalila Stéfany Responder

    Que Deus possa abençoar e expandir ainda mais seus projetos, parabéns pelo lindo trabalho que vcs fazem

  2. Dalila Stéfany Responder

    Que Deus possa abençoar e expandir ainda mais seus projetos, parabéns pela linda loja