“Vivemos momento político importante e é a hora de fazermos as reformas para o País sair da sua pior crise fiscal”, defende Zeina Latif

A aprovação do projeto da reforma da Previdência Social, que já se encontra no Congresso Nacional, é o alicerce para a economia brasileira voltar a crescer, vindo em seguida outras reformas estruturantes, como a tributária e outras medidas para reduzir o Custo Brasil e atrair investimentos. “Sem reforma, vamos ficar velhos e pobres, o que não é uma boa combinação. Isso já não está mais cabendo no orçamento”, disse a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, que esteve em Goiânia na quinta-feira (21/02) em encontro promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), do qual o EMPRENDER EM GOIÁS participou.

Zeina Latif comentou a situação financeira dos Estados, destacando Goiás como unidade federativa que está “quebrada”, em busca de apoio do governo federal. “A maioria dos Estados não está conseguindo cumprir a lei de responsabilidade fiscal. Mais do que o arrecadado em receita liquida está comprometido com o pagamento do funcionalismo e esse quadro só vai piorar, já que metade desses trabalhadores tem mais de 50 anos”, afirmou.

Otimista com o governo de Jair Bolsonaro, a economista aposta que o Brasil vai crescer 2% este ano, índice superior aos 1,2% de 2018, mas alerta para a necessidade dos empresários, políticos e a sociedade em geral olharem de forma coletiva para o bem do País e apoiar o governo em seus projetos de reformas estruturantes. Embora o crescimento econômico mundial esteja mostrando sinais de desaceleração, o Brasil precisa melhorar o ambiente de negócios para não perder, mais uma vez, o bonde da história.

“Vivemos um momento político importante e esta é a hora do governo, com o apoio do Congresso Nacional, fazer as reformas da Previdência e a tributária, para sair da sua pior crise fiscal e acompanhar o crescimento econômico mundial”, frisa. A necessidade urgente de se fazer a reforma Previdenciária está também no fato de que mais da metade do funcionalismo público tem idade superior aos 50 anos. Portanto, logo vai se aposentar, agravando, ainda mais, o déficit previdenciário.

Embora o Brasil seja um País jovem, o governo aplica 14% do Produto Interno Bruto (PIB) – um dos maiores índices do mundo – no pagamento de despesas previdenciárias, que crescem a cada ano. Além disso, 90% dos orçamentos públicos são para os pagamentos de folhas de servidores e para obrigações constitucionais.

Há 20 anos tenta-se no Brasil fazer as reformas estruturantes, principalmente as Previdenciária e tributária. O governo de Michel Temer criou o ambiente para melhorar o cenário econômico com um enredo da reforma trabalhista, que favoreceu a queda da inflação e a redução dos juros. Se a reforma da Previdência for aprovada este ano, a economista-chefe da XP Investimentos acredita que o Brasil entrará na direção certa para o crescimento econômico sustentável e os investidores passarão a ter uma visão otimista do Brasil.

Zeina Latif prevê que o governo Bolsonaro poderá perder popularidade com os projetos de reformas estruturantes uma vez que os brasileiros são conservadores e não gostam de mudanças. “Tendo (o governo) liderança política e contando com o apoio da sociedade, mesmo que muitos venham perder privilégios e rendas, as reformas serão aprovadas pelo Congresso Nacional e, assim, o Brasil terá suporte para o seu crescimento econômico e mostrará maturidade política”, afirma.


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