Sandro Mabel: “Os empresários querem garantias do Governo de Goiás de que os programas de incentivos fiscais serão mantidos e tenham segurança jurídica, para evitar a fuga de empresas para outros Estados”

Os industriais goianos estão otimistas com os rumos da economia brasileira e goiana, prevendo crescimento em torno de 3% este ano, inflação de 4,1%, a taxa nominal de juros básicos em 7,5% ao ano e a cotação média do dólar em R$ 3,78. Estimam mais investimentos e geração de empregos, desde que o Governo Federal faça o ajuste nas contas públicas e as reformas estruturantes, como a previdenciária e a tributária, além de adoção de iniciativas para melhorar o ambiente de negócios, entre as quais a desburocratização.

No âmbito estadual, os empresários esperam que o governador Ronaldo Caiado implemente ações voltadas a incentivar o desenvolvimento econômico e social, encontre outra saída para o equilíbrio das finanças e não a possível adoção ao Regime de Recuperação Fiscal (RFF), como anunciado pela Secretaria da Fazenda. Eles querem também garantias do Governo de Goiás de que os programas de incentivos fiscais serão mantidos e tenham segurança jurídica, para evitar a fuga de empresas para outros Estados.

A manifestação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, durante entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (09/01), quando ele disse que o mundo não existe sem a política, mas é preciso que o Governo não atrapalhe o mundo dos negócios.

Mabel revelou que a Fieg já contratou uma equipe de advogados e economistas para analisar paralelamente a situação fiscal do Estado e fez um alerta ao governador Ronaldo Caiado no sentido de ter cuidado para não deixar o Estado ser tocado pelo Fisco. “A adoção ao Regime de Recuperação Fiscal significa uma concordata e isso atrapalha os negócios em geral. O Estado é feito de desenvolvimento”, frisou.

Ele disse que os industriais goianos estão contribuindo para a recuperação das finanças do Estado, abrindo mão de parte de incentivos fiscais, o que vai gerar uma entrada de recursos extras para o Tesouro de mais de R$ 1 bilhão. Além disso, a diretoria da Federação das Indústrias também apresentou aos novos governantes algumas propostas para o incremento da economia goiana como o incentivo à industrialização das matérias primas produzidas no Estado. “Temos de acabar com as tradings que atuam em Goiás que exportam os nossos grãos na forma in natura, sem agregar valor à produção”, destacou.

Sandro Mabel: “A adoção ao Regime de Recuperação Fiscal significa uma concordata e isso atrapalha os negócios em geral. O Estado é feito de desenvolvimento”

Preocupação

Sandro Mabel informou que o Fórum Empresarial Goiano vai atuar efetivamente junto aos parlamentares goianos no Congresso Nacional para convencê-los a aprovar os projetos das reformas estruturantes para destravar o desenvolvimento da economia brasileira. Ele também manifestou preocupação com o clima que está se criando em Goiás com a falta de segurança jurídica nos contratos dos benefícios fiscais concedidos através dos Programas Produzir e Fomentar.

Disse que muitos empresários já estão negociando com governadores de outros Estados a instalação de plantas industriais, esvaziando o parque industrial goiano. Alertou também para os impactos negativos na economia com a possibilidade do Governo não efetuar, dentro do cronograma, o pagamento dos salários dos servidores referentes ao mês de dezembro.

O presidente da Fieg acredita que se os projetos de reformas estruturantes forem apresentados pelo Governo Federal e aprovados pelo Congresso Nacional a economia brasileira dará um novo salto de crescimento, a curto prazo. Ele lembra que a população deposita muitas esperanças nas novas administrações públicas e isso já é um sinal positivo.

A última pesquisa de confiança do empresário industrial feita pela CNI/Fieg, em novembro passado, alcançou o maior índice de 2018, chegando a 63,7%. Contudo, Mabel chama a atenção para o fato de se o País optar por reformas limitadas ou incompletas a confiança dos empresários e dos consumidores diminuirá, o que conduzirá o Brasil a outra estagnação da economia.


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