Dirceu Borges, José Mário Shreiner e Edson Novaes: mesmo com as dificuldades e desafios, agropecuária goiana teve desempenho positivo em 2018

A agropecuária goiana, apesar dos desafios e das dificuldades provocadas pela instabilidade nos cenários econômico e político, encerra 2018 com bons resultados, o que abre caminho também para um ciclo de perspectivas positivas para 2019. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), ao apresentar o balanço do setor nesta quinta-feira (20), durante encontro com a imprensa, na sede da entidade.

“A disputa eleitoral trouxe muita instabilidade, com elevação de dólar, retração de investimento e o planejamento foi afetado”, ressaltou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, ao lembrar que a greve dos caminhoneiros também prejudicou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo ele, há desafios grandes com relação à retomada de consumo interno e externo e existe uma grande expectativa de que reformas sejam aprovadas pelo governo federal. “Há ainda questões antigas, como segurança rural e maior investimento em infraestrutura para escoar produção, que persistem como pontos de atenção para o setor”, pontuou José Mário Schreiner.

Resultados

Entre os principais pontos comemorados está o desempenho da safra de soja (2017/18), cuja produção cresceu 8% e registrou produtividade média de 58 sacas por hectare, o melhor resultado histórico de Goiás. Destaque também para a geração de mais de 10 mil empregos no período de janeiro a outubro, resultado 7,3% maior do que em 2017.

Com relação à agricultura goiana como um todo, houve aumento de 1% na área plantada, mas foi registrada queda de 2,8% na produção de grãos. Isso porque o milho, como no País, não foi bem e a produção recuou 15,9%, também em função de aspectos climáticos e mercadológicos.

A produção brasileira de grãos na safra 2017/18 fechou em 228,3 milhões de toneladas, cerca de 4% menor do que a anterior, por conta da queda de 17% no milho, causada pela seca e menor área plantada na safra de verão. A soja ampliou o resultado em 4,6%, com o recorde de 116 milhões de toneladas no Brasil.

A produção de soja cresceu 8% e registrou produtividade média de 58 sacas por hectare, o melhor resultado histórico de Goiás

Venda

A soja ganhou destaque pela exportação, pois foram embarcados volumes também históricos para o País. “Foi muito importante a maior demanda de soja pela China. De janeiro a outubro, foram exportados mais de 74 milhões de toneladas de soja, contra 68 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado”, frisou o diretor executivo do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Edson Novaes. Com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a maior consumidora do grão no mundo se voltou para a América do Sul, o que levou aos recordes mensais de exportação do grão.

Por outro lado, culturas como a do tomate não registraram avanço e a produção de feijão foi ruim para Goiás, tanto pelo preço mais baixo quanto pela menor área plantada. No País, o ano também foi de destaque para produção de etanol, que teve crescimento de 11,16%, e consequente queda de 9,5% na produção de açúcar, pela diminuição no valor.

O setor de carne teve desempenho ruim por causa  dos problemas com a BRF, que afetaram principalmente o setor de aves e suínos

Pecuária

Mas o grande impacto negativo do agronegócio foi vivenciado pelo setor de carnes. “Houve problemas com a BRF, acarretando embargos de vários países, e afetou principalmente o setor de aves e suínos. De janeiro a outubro deste ano, as exportações de frango tiveram queda de 21,7% no Brasil e de suíno, 36%. Para a carne bovina, houve queda de 0,2%”, destaca Edson Novaes ao ressaltar que o setor enfrentou ainda mais obstáculos em 2017.

Fora os prejuízos na cadeia do leite por conta da queda do consumo, preços e problemas como greve dos caminhoneiros. Para ele, carne e leite foram produtos que mais sentiram a retração, mas a expectativa para 2019 é de que haja recuperação. “Com a queda de produção de leite, Goiás passou de quarto para quinto maior produtor no País na comparação entre 2017 e 2016”, lembra.


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