Lutar pela industrialização das matérias-primas goianas dentro do próprio Estado, como forma de agregar valor à produção, sobretudo os grãos e minérios, incentivar o polo de moda em Goiás e investir pesado na educação dos alunos do Sistema Fieg, com qualificação profissional, são as principais metas da nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), encabeçada pelo empresário Sandro Mabel, que tomou posse nesta quarta-feira (19) para o período de 2019/2022. A solenidade contou com as presenças do presidente da República, Michel Temer, do governador de Goiás, José Eliton, e do futuro governador Ronaldo Caiado, além de outras autoridades.

 Em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS, Sandro Mabel falou das expectativas dos industriais goianos, a quem chamou de acionistas, em relação aos novos governos do Brasil e de Goiás; da necessidade de agregar valor à produção; de como será o ensino nas escolas do Sistema S ligadas ao setor industrial; da manutenção dos incentivos fiscais através dos Programas Fomentar e Produzir e do papel do Fórum Empresarial Goiano nos próximos anos. Confira a entrevista.

Qual é a expectativa dos industriais goianos em relação aos novos governos de Goiás e do Brasil?

Nossas expectativas são otimistas. Acreditamos que Goiás e o Brasil darão um novo salto de desenvolvimento na economia e nas questões sociais. Os empresários nacionais e estrangeiros voltarão a investir no País, o que é muito importante. Em Goiás, o futuro governador Ronaldo Caiado está determinado a fazer um governo progressista. Sua equipe está sendo formada com pessoas novas e de boa formação intelectual e técnica.

Qual será o papel da Fieg no novo Governo? 

A Fieg está de mãos dadas com o atual e o futuro Governo para que Goiás possa voltar a crescer com força. Temos defendido uma maior industrialização dos nossos produtos agropecuários. É preciso acabar com a farra das tradings que atuam em Goiás, que tiram os produtos in natura do campo e não geram empregos ou melhoria da qualidade de vida da população. De um escritório lá em Nova York ou de Amsterdã, na Holanda, uma pessoa faz toda a movimentação destes produtos, levando-os para diversos países, gerando empregos por lá.

Precisamos agregar valor à nossa produção. Em Goiás, há condições para a industrialização destes produtos. As tradings fazem uma farra em Goiás. Precisamos acabar com isso. Eles não protegem os produtores. Essas empresas não podem ter incentivos. O preço que elas pagam aos produtores rurais são os mesmos das indústrias locais. Temos de lutar pela industrialização desses produtos no próprio Estado, gerando mais empregos e renda. Temos de lapidar o nosso ouro bruto que vem do campo, como a soja, o milho, o sorgo, o algodão e outros produtos.

A participação das indústrias no PIB goiano tem diminuído a ano a ano. Qual será o papel da Fieg neste campo? 

A participação do setor industrial na composição do PIB não está caindo. O que acontece é que a fatia dos setores de serviços e da agropecuária tem crescido mais. É por isso que vamos lutar pela agregação de valor à produção agropecuária goiana. Queremos a industrialização de todos os nossos grãos em território goiano. A exportação de grãos in natura será zero. A Argentina taxa fortemente os grãos in natura. Agora os moinhos brasileiros importam a farinha e não mais o grão. Isso é a agregação de valor e geração de empregos.

Goiás tem se destacado como polo de moda. A indústria de confecções terá incentivo especial?

Vamos também incentivar o polo de moda em Goiás. Queremos que Goiás volte a ser destaque do setor no Brasil e no mundo. O polo atacadista de confecção da 44, no Centro de Goiânia, já é forte e vai melhorar, ainda mais. Vamos incentivar a construção de calçadões no local. Atrás de cada salinha daquelas tem uma indústria. Junto com o Sebrae vamos incentivar a compra de maquinário, de treinamento de mão de obra, especializar mão de obra em design. No ano passado, o setor faturou quase R$ 7 bilhões em Goiás. Vamos trabalhar junto com a Secretaria da Fazenda para incentivar o fim da informalidade das indústrias e para que as pequenas empresas tenham uma legislação própria. Também vamos lutar pelo contínuo crescimento de outros segmentos industriais como o farmoquímico, o automotivo, alimentação, mineração e outros.

Como corrigir as distorções na política de atração de investimentos?

A política de atração de incentivos fiscais de Goiás, através dos programas do Governo, como o Fomentar e Produzir, não está defasada ou ultrapassada. Goiás foi pioneiro nesta política. Minha empresa foi pioneira no Fomentar – Resolução número 1. Os programas Fomentar e Produzir são os pilares da nossa industrialização. Já os incentivos que fazem guerra fiscal têm de acabar, como aqueles que só trocam notas fiscais. Isso precisa ser revisto. Mas temos de ter o cuidado para Goiás não perder competitividade. Não podemos aceitar cortes nos incentivos. Isso tira a competitividade e representará um atraso de 15 anos na industrialização de Goiás. Mas acreditamos que, com boa negociação com o futuro governo, os cortes dos benefícios serão adequados. Acho que isso será resolvido nos primeiros 90 dias do próximo governo.

Qual será o papel Fórum Empresarial no novo Governo?

O Fórum é o porta-voz do setor empresarial. Junto com o Sebrae e outras entidades, vamos criar uma máquina de fazer desenvolvimento para Goiás. Estou muito otimista.O futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes já anunciou que fará cortes nos repasses de recursos ao Sistema S. Qual a sua opinião ?– O futuro ministro Paulo Guedes está desinformado dizendo a respeito do papel do Sistema S. Garantimos a educação, de excelente qualidade, a 1,8 milhão de alunos, que poderão ir para rua se ocorrer o corte. Seus pais, que são os trabalhadores na indústria, não terão de bancar os gastos numa escola particular. Nas escolas do Sistema Fieg (Sesi e Senai), os pais pagam mensalidade no valor de R$ 70,00, e os alunos recebem educação de excelente qualidade, além de cursos de qualificação profissional. O Sistema S é o maior formador de mão de obra qualificada no País. O Governo não pode sair cortando por aí. Isso será um atraso para a indústria, para o comércio, para a agropecuária e para o sistema de transportes. Além do mais, quem paga a contribuição são os empresários em geral.

Como será a educação no Sistema S da Fieg?

Na área da educação queremos capacitar mais os educadores do Sesi e do Senai. Oferecer maior capacitação da mão de obra para as indústrias, que pagam contribuições. Nós vamos investir muito em educação e na qualificação da mão de obra para a indústria. Nossos alunos vão estudar matérias que serão aplicadas daqui a 10 anos. Queremos antecipar o futuro nas áreas de robótica e informática. Montamos um núcleo avançado para pensar o futuro nas nossas escolas. Vamos priorizar a qualificação de mão de obra e na educação básica no sistema Sesi/Senai. O aluno que sair da escola já terá um emprego garantido na indústria. Vamos inovar nas escolas. Os alunos vão conhecer o chão de fábrica, conhecer as empresas, vão participar de palestras e de aulas práticas. Reuniões serão feitas em escolas e nas indústrias. Vamos devolver cada centavo que o industrial investir no Sistema S, com qualificação de mão de obra e na defesa do setor. Goiás vai se tornar uma nova Coreia do Sul. (Fotos: Alex Malheiros)


Deixe seu comentário