Vladimir Freitas: “Esse movimento (de oferta de crédito) ainda vai se ampliar. O ânimo do consumidor melhorou e os bancos estão com mais apetite para emprestar”

Com juros mais baixos e passadas as eleições, consumidores e empresas começam a retomar projetos congelados de ter um carro novo para uso pessoal ou no trabalho. São algumas das razões que explicam a alta de 22,16% nas vendas de carros de passeio e utilitários leves, de janeiro a novembro deste ano, segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores de Goiás (Sincodive/GO).

Em Goiás, de janeiro a novembro deste ano, foram 68.930 veículos novos emplacados, contra 56.426 no mesmo período do ano passado. Os negócios fechados nos nove primeiros meses deste ano no Estado já superam o total do ano passado, que somou 62.507 unidades vendidas.

Desempenho bem melhor que os 14% registrado no mercado nacional, conforme o último levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No Brasil, estes dois segmentos somaram, no acumulado de janeiro a novembro deste ano, 2.245.677 unidades licenciadas sobre as 1.967.369 unidades de igual período do ano passado. O mercado total de veículos l cresceu 13,96%, no País, conforme a entidade.

Crédito

Analistas de mercado e concessionários avaliam que o principal atrativo para a retomada das compras é a oferta de crédito, somada à melhora nas expectativas no Brasil pós-eleições. Além dos juros mais baixos, os bancos estão flexibilizando mais as concessões de crédito. As próprias montadoras também estão ampliando sua oferta de linhas de crédito específicas para a aquisição de veículos novos.

“Esse movimento (de oferta de crédito) ainda vai se ampliar. O ânimo do consumidor melhorou e os bancos estão com mais apetite para emprestar”, analisa Vladimir Freitas, diretor comercial do Grupo Saga, que representa 19 marcas de veículos em 75 lojas distribuídas por Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Rondônia, Maranhão e Minas Gerais.

Vladimir Freitas diz que o grupo deve fechar 2018 com um crescimento entre 23% e 25% este ano e que em 2019 a alta deve ficar entre 8% e 10%. “Esse crescimento maior este ano se dará principalmente porque está vindo de uma base de comparação baixa dos últimos anos. E também porque estamos em Goiás, onde o volume de vendas de utilitários do tipo picape é maior”, comenta o executivo da Saga.

Márcio Macedo: “As vendas já vinham melhorando ao longo do ano, mas depois das eleições, este movimento ficou mais claro e esperamos que seja uma constante daqui para frente”

Campanha

O índice previsto na Saga é próximo do que deve obter a Pinauto, concessionária Fiat com seis lojas em Goiás (mais uma da marca Renault), que deve fechar o ano com alta de 28% nas vendas, segundo o diretor comercial Romildo de Paula. Para o ano que vem, diz ele, a empresa espera crescer 35% no volume de comercialização em relação a este ano. Ele também cita as vendas de utilitários leves como ponta de lança dessa retomada.

Romildo de Paula: “Devemos fechar o ano com alta de 28% nas vendas e, para 2019, a previsão é de crescimento de 35% em relação à 2018”

“No nosso caso, a Fiat está com uma campanha agressiva de desconto para produtor rural e empresários de outros segmentos. Nossos modelos de picape, Toro e Strada, seguem com um desempenho muito bom, acima de nossas expectativas”, diz informando que a montadora tem dado um desconto de até 23% na compra de um desses modelos zero km.

Mas nem só de picape vive o mercado goiano, prova a Jorlan, concesssionária Chevrolet, que tem o modelo Onix como líder de vendas no Brasil há 39 meses. A Jorlan vai fechar o ano vendendo 25% mais carros novos do que no ano passado. “Para 2019 estamos trabalhando com a previsão da própria GM, que é de crescimento entre 14% e 18%”, afirma Márcio Macedo de Oliveira, gestor comercial da Jorlan em Goiânia.

A empresa tem 19 lojas de cinco marcas (incluindo motos Harley-Davidson) instaladas em Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. “As vendas já vinham melhorando ao longo do ano, mas depois das eleições, este movimento ficou mais claro e esperamos que seja uma constante daqui para frente”, conclui Márcio Macedo.


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