José Rizzo: “Para termos uma ideia, na Coreia e Japão, por exemplo, há cerca de 600 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores na indústria, enquanto no Brasil temos apenas 10 robôs nessa comparação”

A tecnologia vai transformando a vida das pessoas e das empresas. E de maneira cada vez mais rápida. Para ganhar competitividade no mercado, as empresas vão investindo em processos cada vez mais automatizados, agora com a inclusão de tecnologias de conectividade e alto processamento de dados, características da chamada Indústria 4.0, o que seria a quarta geração de evolução da tecnologia industrial, que tem mercado potencial de US$ 15 trilhões nos próximos 15 anos.

E Goiás está na vanguarda desse processo, com seu parque fabril sediando algumas iniciativas de ponta. Está na fábrica da Unilever, em Goiânia, um dos primeiros projetos brasileiros de robôs móveis autônomos em operações industriais. Desenvolvido pela Pollux, empresa catarinense de automação industrial, os robôs da Unilever levam componentes e embalagens para as linhas de produção de alimentos e de lá transportam o produto final para depósitos e expedição, tudo por carros pilotados remotamente, sem interferência humana direta.

Na fábrica da capital goiana, a Unilever produz molhos, caldos e temperos das marcas Hellmanns, Arisco e Knorr. Os novos robôs entraram em operação no início deste ano na planta goiana da multinacional multimarcas de bens de consumo.

André Spínola apresentou diversas alternativas para modernizar a relação das empresas com os clientes e a força das redes sociais na interação com o público

Modelos

“Um dos gargalos para a ampliação do uso da robótica nas empresas hoje é de ordem econômica, mas também de informação e compreensão do processo. Em muitos segmentos, não é necessário grandes investimentos na adoção desse tipo de tecnologia. As empresas podem lançar mão de modelos de licenciamento ou ‘pay per use’, ou seja, você tem a tecnologia, mas não precisa instalá-la, basta pagar para usar uma solução já pronta”, disse José Rizzo Hahn, fundador e CEO da Pollux, a empresa líder em automação industrial que desenvolveu os robôs da Unilever.

Ele foi um dos palestrantes no Fórum Indústria 4.0, evento que o Sebrae e a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), promoveram nesta quarta-feira (12) em Goiânia. Realizado no Teatro Sesi, no Setor Santa Genoveva, o fórum reuniu especialistas e dirigentes industriais para debater os desafios e as oportunidades geradas pela evolução tecnológica industrial na era digital.

José Rizzo Hahn exemplifica o modelo “pay per use” citando os casos de Uber, Spotify e Netflix, empresas que fornecem serviços tecnológicos sem vender “a ferramenta”. “Esse modelo também já está no chão de fábrica. Na Pollux, temos robôs industriais para linhas de montagem, inspeção, testes, rastreabilidade e controle de qualidade que não precisam ser adquiridos pela indústria interessada”, diz o empresário.

Luciano Coutinho divulgou o resultado da Pesquisa Indústria 2027, como os 8 grupos de tecnologias vão impactar os setores produtivos da economia em 5 e 10 anos

Desafios

Em sua palestra, Rizzo Hahn deu o histórico da indústria 4.0, iniciada há apenas 10 anos na Alemanha, falou dos desafios para sua implantação no parque industrial brasileiro e exemplificou com os casos de maior sucesso na área, cuja liderança é do setor automotivo.

“Para termos uma ideia, na Coreia e Japão, por exemplo, há cerca de 600 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores na indústria, no Brasil temos apenas 10 robôs nessa comparação. Então, observe o tamanho da nossa defasagem, apesar de termos um dos maiores parques industriais do mundo”, afirmou ele, que é engenheiro mecânico formado pela Iowa State University (EUA) e atua na área de automação industrial há 25 anos (preside também Associação Brasileira de Internet Industrial – ABII).

Dentre os principais gargalos para o desenvolvimento da indústria 4.0 no país, Hahn listou a falta de conhecimento por parte das empresas, custo de implantação, qualificação da mão de obra, infraestrutura deficiente e falta de incentivos. “Mas apesar disso, não acho que precisamos ter uma política industrial específica, acho que nosso problema é anterior a isso. Se tivermos uma reforma tributária que ponha fim nessa malha maluca de impostos e focar na educação de nossos jovens, acho que a partir daí os próprios empreendedores vão achar seu caminho, desenvolver as tecnológicas e impulsionar nossa indústria”, opinou o especialista.

Inovar

Já o Ph.D em Economia pela Universidade de Cornell, Luciano Coutinho, apresentou o Resultado da Pesquisa Indústria 2027, como os 8 grupos de tecnologias vão impactar os setores produtivos da Economia em 5 e 10 anos. O levantamento foi realizado com mais de 700 empresas e mostrou o cenário da inovação industrial no país.

André Spíndola, business developer do Núcleo de Novos Negócios Digitais do Sebrae Nacional, expôs a ótica dos pequenos negócios em relação a nova revolução industrial, apresentando diversas alternativas para modernizar a relação das empresas com os clientes e a força das redes sociais na interação com o público.

Para Tony Ventura, publicitário com mestrado em negócios nos Estados Unidos, o Brasil tem potencial para inovar. “Basta disseminarmos conhecimento e ideias novas. Conhecer as ferramentas e unir tecnologias é um passo grandioso para resolver problemas e expandir os negócios”, comentou.

Na abertura do evento, o diretor técnico do Sebrae, Wanderson Portugal, ressaltou que o futuro da produção depende da integração, da inovação e da produtividade industrial, o que traz boas oportunidades para startups e pequenos negócios. O presidente da Fieg, Pedro Alves, destacou que o novo cenário para as indústrias exige inovação, redução de desperdícios, velocidade na produção e melhor vantagem competitiva no mercado.


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