Eduardo Gomes: “A Imperador vai expandir os itens de seu portfólio de 118 para 140 até o final do ano. Entre os lançamentos, estão uma linha de condimentos, molho de pimenta biquinho sem ardência e o mel orgânico”

Com o palmito como carro-chefe, a Imperador, goiana especializada em molhos, azeites, conservas e temperos, prevê crescer 15% em 2018 e expandir os itens de seu portfólio de 118 para 140 até o final do ano. Os números devem gerar um incremento de 10% na mão-de-obra gerada pela empresa, que hoje emprega 200 pessoas, entre representantes, funcionários do armazém localizado no Jardim Helvécia, em Aparecida de Goiânia, e as indústrias em Breves e Abaetetuba, no Pará, que produzem cerca de 30 mil caixas de palmito por mês.

“Estamos sempre pensando em crescer. E quero crescer porque Deus me deu uma oportunidade, começamos pequenos e conseguimos avançar muito nesses 23 anos. A nossa intenção é gerar emprego, as pessoas querem renda, dignidade”, explicou ao EMPREENDER EM GOIÁS o empresário Eduardo Gomes, que já conta com o auxílio dos quatro filhos no negócio, garantindo a sucessão familiar.

Ele, que fundou a Imperador junto com o irmão Acir Gomes Junior, que cuida das indústrias no Norte do Brasil, deu a receita para o avanço dos negócios, mesmo em tempos de crise. “São três coisas que acho fundamentais para uma empresa crescer. Primeiro, o empresário saber que o dinheiro não é dele, é da empresa. Segundo: a qualidade dos produtos. Não adianta fazer coisa ruim, coisa barata. Terceiro: honestidade”, enumera, citando o último quesito como fundamental, também, na relação com os ribeirinhos paraenses, plantadores e fornecedores da palmeira de açaí, utilizada na fabricação de palmitos, polpas e outros produtos.

Novidades

Entre os lançamentos previstos para este ano estão uma linha de condimentos “com qualidade diferenciada”, um molho de pimenta biquinho sem ardência e o mel orgânico. Outro passo a ser dado pela empresa é a produção do açaí mix, pronto para o consumo, que deve entrar no mercado nacional em 2019. E as boas notícias não param. A Imperador acaba de fechar exportação de polpas de açaí para a França.

A diversificação do portfólio da Imperador foi iniciada em 2010, primeiro com produção terceirizada e depois com importação e envasamento na unidade do Jardim Helvécia, adquirida em 2011 e que deve ser ampliada em breve. Hoje, o portfólio engloba iguarias como as alcaparras, que vêm do Marrocos; as azeitonas, importadas do Egito, da Espanha, da Argentina e do Peru; o cogumelo, comprado da China e da Polônia; a cebolinha vinda da Itália e da Holanda; e o tomate seco da Turquia, além de azeite envazado na origem, vindo da Espanha e de Portugal.

Além de Goiás, os produtos da Imperador chegaram ao Distrito Federal, Minas Gerais, Tocantins, onde lidera o mercado de palmito em conserva; São Paulo, Espírito Santo e parte do Rio de Janeiro, além de Paraná e Mato Grosso. Em julho, os primeiros representantes iniciaram o trabalho na Bahia e em Pernambuco. Em 2019, os produtos devem chegar ao Sul no Brasil.

Há dois anos, a Imperador, já consolidada no mercado, teve seu conceito de marca renovada, com mudanças no slogan, nas cores e na logomarca.

Eduardo Gomes: Os produtos da Imperador são vendidos em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Tocantins, São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Espírito Santo e parte do Rio de Janeiro

Qualidade

A história de 23 anos da Imperador foi impulsionada pela busca da qualidade dos produtos oferecidos. Brincadeira de criança, a profissão de vendedor seria uma verdadeira escola para o empresário Eduardo Gomes. Aos 8 anos, trabalhava na loja do tio Air, em Belo Horizonte. Aos 14 anos, ele já ajudava no pequeno armazém do avô, seu Zizi, no Setor Coimbra, em Goiânia. Em 1972, a família se muda de Belo Horizonte para Goiânia e aos 20 anos, em 1982, Gomes ingressa na Bordon como promotor de vendas, profissional responsável por levar a mercadoria do depósito até o ponto de venda. “Comecei a conhecer supermercados, o mercado de autosserviços”, recorda.

A oportunidade de ascender ao posto de vendedor vem quando Eduardo completa um ano na Bordon e um colega entra em férias. “Ele vendia entre 4 e 5 milhões de cruzeiros por mês. Fechei a primeira semana com 28 milhões e o mês com 63 milhões”, recorda.

A experiência como vendedor e representante comercial seria útil anos depois, quando ele e o irmão criam a Imperador, em 1995. “Percebi que o mercado de palmito estava muito mal abastecido. As indústrias faziam pedido e levava dois, três meses para chegar. No final do ano, deixavam todo mundo na mão”, explica, citando o investimento inicial de cerca de R$ 40 mil, em valores atualizados.

Em 1998, os irmãos avançam um pouco mais: em busca de qualidade, abrem uma pequena fábrica em Cajazeiras, no Pará, às margens da Transamazônica. “Começamos a perceber que não entregavam o palmito com a qualidade que a gente pedia”, justifica.

O aprendizado da época de vendedor ajudou a alavancar as vendas mesmo com um produto com qualidade e, por conseguinte, preço superior à concorrência. “O nosso custava R$ 45 a caixa. E apareceram concorrentes com palmito a R$ 26 a caixa. Os atacadistas queriam preço e a minha marca não tinha força”, compara.

A solução encontrada por Eduardo e Junior foi fazer um desafio. “Criamos uma placa que falava mais ou menos assim: ‘a Imperador garante a qualidade do seu produto. Se você não estiver satisfeito, devolvemos seu dinheiro ou trocamos por outro’. Distribuída nos pontos de venda, a ideia paulatinamente “pegou”, ajudando a Imperador a se consolidar no mercado de palmito.

Acir Júnior cuida das indústrias em Breves e Abaetetuba, no Pará, que produzem cerca de 30 mil caixas de palmito por mês e polpa de açaí, que é exportada para o Japão, Coréia do Sul, EUA e, em breve, para a França

Ida ao Pará

Em 2008, a dupla compra uma fábrica de palmito em Abaetetuba, no Pará, um investimento de R$ 550 mil. A unidade foi ampliada depois que os empresários resolveram encerrar a produção em Cajazeiras, em 2010. “Ficamos cinco anos sem tirar R$ 1 da empresa. Nós dois tínhamos representações e vivíamos dela”, recorda, referindo-se a um erro comum de empreendedores.

Junior se mudou para o Estado onde cuida das empresas da família. Em 2012, uma fábrica em Breves também é adquirida. No Pará, os goianos se aliaram aos ribeirinhos que fornecem o palmito de açaí.

Em 2013, os empresários passaram a trabalhar com a polpa de açaí que é produzida em Abaetetuba e exportada para Japão, Coréia do Sul e, sobretudo, para os Estados Unidos. “Também produzimos o clarificado. Conseguimos separar as gorduras do açaí das propriedades, que são principalmente as antocianinas, produto com altíssimo poder na eliminação de radicais livres do organismo. Esse produto é enviado para os Estados Unidos. Também começamos a produção de óleo de açaí e estamos começando a negociação com a indústria de cosméticos”, explica.


Deixe seu comentário