O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira (1º), manter a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 6,5% ao ano. Foi a quarta reunião consecutiva em que a taxa foi fixada nesse patamar – o menor desde que a Selic foi criada, em 1996. Para os próximos meses, a instituição optou novamente por não se comprometer com uma decisão específica, mesmo porque a disputa eleitoral tende a se acirrar daqui para frente.

De outubro de 2016 a março de 2018, a Selic foi reduzida 12 vezes seguidas, passando de 14,25% ao ano para 6,5% ao ano. Apesar de os juros básicos estarem no menor nível da série histórica, os bancos ainda cobram caro pelo crédito. Modalidades como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito têm juros de cerca de 300% ao ano.

Em relação a investimentos, a decisão do BC dá ainda mais fôlego para a poupança. Com a Selic em 6,5%, o rendimento da caderneta é de 4,53% ao ano. Os fundos de renda fixa só conseguem superar essa rentabilidade quando a taxa de administração for inferior a 1% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

A manutenção da Selic já era esperada pelos economistas do mercado financeiro. A avaliação era de que a greve dos caminhoneiros, ocorrida entre o fim de maio e o início de junho, prejudicou a atividade econômica e deu fôlego aos índices de inflação, mas seus efeitos foram limitados no tempo. Essa também foi a percepção do Comitê de Política Monetária (Copom).

Reformas

O Copom voltou a defender a agenda de reformas estruturais e alertou, sem citar diretamente o debate eleitoral, que a percepção sobre a continuidade dos ajustes afeta as expectativas sobre a economia brasileira.
“O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia”, afirmou o Copom, por meio de comunicado. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, completou o BC.

Para o colegiado, o risco de frustração das expectativas sobre a continuidade de reformas – o que pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória de inflação – permanece em níveis elevados, assim como o risco de deterioração do cenário externo para as economias emergentes.

De outro lado, o Copom considerou que a propagação inercial do baixo nível da inflação passada e o ainda elevado grau de ociosidade da economia podem produzir uma trajetória de inflação abaixo da esperada. “O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”, repetiu o documento.


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