Adelvânio Morato: “ De 15 anos para cá, 80 hospitais fecharam as portas em Goiás, a maioria do interior, mas grandes unidades em Goiânia também pararam de funcionar.. E uma das causas é a própria gestão”

Com unidades fechando as portas nos últimos anos, o setor hospitalar em Goiás precisa resolver uma complexa equação: profissionalizar sua gestão e, com isso, diminuir custos para garantir a qualificação e o funcionamento dos estabelecimentos de saúde. Equacionar esses fatores passa por desafios como a sucessão familiar. É o que aponta o presidente da Associação dos Hospitais do Estado de Goiás (AHEG), Adelvânio Francisco Morato ao EMPREENDER EM GOIÁS. “De 15 anos para cá, 80 hospitais fecharam as portas em Goiás, a maioria do interior, mas grandes unidades em Goiânia também pararam de funcionar. E uma das causas é a própria gestão”, analisa.

O assunto é o foco da 12ª Convenção Brasileira de Hospitais (CBH) realizada nos dias 3 e 4 de julho pela AHEG no Centro de Convenções de Goiânia. Com o público estimado de 2 mil congressistas, o evento reuniu entidades ligadas aos hospitais, direta ou indiretamente. “A convenção está focada na gestão, na inovação e na tecnologia, no que pode ser feito para ajudar essas unidades”, frisa Morato.

Ele explica que ainda persiste no setor hospitalar o modelo de gestão familiar, em que o negócio é repassado de uma geração para outra, mas que nem sempre essa mudança de mãos representa conhecimento técnico e de administração em saúde. “A gestão vai minimizar custos, compras, desperdício e trazer uma qualificação adequada. Precisamos criar mecanismos para resolver o problema. Temos que inovar e acreditar no nosso trabalho”, defende.

Valorização dos pequenos

O presidente da AHEG cita uma atenção especial demandada pelos médios e pequenos hospitais, que correspondem a 80% da rede privada em Goiás. “Este é o grande trunfo [do evento]: trazer essa informação para eles, temos a obrigação de qualificá-los”, diz, citando o programa de qualificação gratuito realizado pela própria entidade, que hoje tem cerca de 300 associados no Estado.

“A qualificação in loco e começa na porta de entrada e termina lá no fundo, na hora que está saindo o lixo. Pega toda parte hospitalar, atendimento, diagnóstico, consulta, atendimento, ou seja, a segurança do paciente.  Não é um selo. É mudança de conduta. E único custo que a unidade vai ter serão as mudanças que precisar fazer”, explica.

Saúde financeira

O consultor sênior da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Bruno Sobral, aponta algumas pedras no caminho das pequenas e médias unidades de saúde que implicam diretamente em sua saúde financeira. “Bancos privados não enxergam os hospitais como parceiros. A tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) para média complexidade é altamente defasada e isso é um problema do País que a gente precisa resolver. E em termos de impostos é um setor que tem uma carga tributária de em média 37%”, enumera.

Sobral defendeu que o SUS, principal pagador dos hospitais privados, e as operadoras de plano de saúde, se engajem em mais processos de gestão de saúde. “Isso também ajuda a fazer com que esse drama tão grande [de fechamento de unidades] seja de certa forma equalizado. A disparada dos custos que leva à disparada dos planos de saúde para a população tem a ver também com a falta de capacidade de nossa sociedade em gerenciar a saúde. O potencial de custo reduzido com gestão é muito grande”, analisa.


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