Por causa da greve dos caminhoneiros, as montadoras deixaram de produzir entre 70 mil e 80 mil veículos em maio, conforme a Anfavea

Afetada pela greve dos caminhoneiros, as vendas de automóveis e comerciais leves caíram 6,04% em maio quando comparadas com abril, em Goiás. As concessionárias venderam 2.845 unidades nomes passado ante 3.071 em abril, ou seja 228 unidades menos, de acordo com dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores de Goiás (Sincodive-GO). Na contramão, as vendas de motos cresceram 7,25% no Estado, no mesmo período.

“O setor poderia ter fechado maio com um dos melhores para o mês não fosse a parada do transporte de cargas, que paralisou a produção de praticamente todas as montadoras e interrompeu as entregas de carros às concessionárias”, afirma a presidente do Sincodive-GO, Shirley Leal, ao prever que os reflexos da greve dos caminhoneiros devem prejudicar os resultados de junho e potencializados com os jogos da Copa do Mundo.

No acumulado de janeiro a maio, em Goiás, foram vendidos 14.165 automóveis e comerciais leves registrando crescimento de 28,59% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 11.016 unidades. Mas os concessionários não se entusiasmam com o resultado, pois a comparação do desempenho do período não é consistente, pois base de vendas em 2017 era fraca.

Para Shirley Leal, em decorrência da instabilidade da economia, as pessoas estão muito inseguras em fazer compromissos. “Além da alta do dólar, as taxas de juros, mesmo com a queda da Selic, estão ainda muito altas. Mas acredito que depois da Copa do Mundo, o mercado vai melhorar”, frisou.

As concessionárias venderam 2.845 unidades no mês passado ante 3.071 em abril no Estado, de acordo com informações do Sincodive-GO

Produção

As montadoras deixaram de produzir entre 70 mil e 80 mil veículos em maio por causa da paralisação dos caminhoneiros, estima a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “O impacto da greve foi forte”, disse o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

No mês, o setor produziu 212,3 mil unidades, 53,8 mil a menos que em abril e 38,4 mil abaixo do número de maio do ano passado. Sem a paralisação, portanto, segundo a estimativa das montadoras, a indústria teria apresentado crescimento tanto na comparação com abril quanto em relação a maio de 2017.

Segundo Megale, “grande parte” da produção perdida por causa da paralisação deve ser recuperada em dois ou três meses pelas montadoras, caso haja demanda do mercado. “Temos condições”, disse o executivo, que demonstrou confiança que o setor termine o ano com mais de 3 milhões de unidades produzidas.

O que preocupa mais, argumentou, é o mercado interno. “Algumas pessoas deixaram de comprar naquele momento da greve e, talvez, por uma questão de confiança e preocupação com o futuro, podem adiar a compra por alguns meses ou mais tempo, aí podemos ter uma perda”, disse.

Em relação às vendas no Brasil, no mês passado, o setor registrou o emplacamento de 201,8 mil unidades, 15,4 mil a menos que em abril, ou um recuo de 7,1% entre um mês e outro. Com as 25 mil unidades que não foram licenciadas em maio, o mercado teria crescido 4%.


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