Embora o empreendedor tenha potencial para mudar o mundo, no Brasil, a atividade ainda precisa de ferramentas para que o país se torne um expoente mundial quando se fala da criação de negócios inovadores. É o que defende o fundador do InEvent, aplicativo mobile de comunicação e interação durante eventos, Vinicius Neris, em entrevista ao EMPREEENDER EM GOIÁS (confira abaixo).

Ele estará nos dias 24 e 25 de maio, em Goiânia, para participar do 1º Fórum Mundial de Empreendedorismo, que acontecerá na Unialfa (Unidade Perimetral). “O que vai continuar a transformar o mundo é o empreendedor, pessoas que buscam melhoria constante, resolver o seu próprio problema ou o de muitas pessoas”, diz.

O evento é realizado pela Federação das Associações de Jovens Empreendedores e Empresários do Estado de Goiás (Faje Goiás) e Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), em programação com palestras e workshops.

 

Empreender em Goiás: Quais são as tendências do empreendedorismo no mundo?

Vinicius Neris: O mundo caminha para uma mudança drástica no ambiente de trabalho, né? Tudo vai ser automatizado, sofrer impacto direto da tecnologia. Então, as pessoas terão cada vez mais que empreender ou nas suas próprias empresas, ou intraempreender [empreender na empresa em que trabalha]. Não tem mais como achar que você vai ter uma função muito específica e sempre seguir aquilo.

Tudo está mudando muito rápido, então, as empresas precisam inovar. Têm que criar tendências, se adaptar àquilo que os clientes necessitam para facilitar o seu dia-a-dia, para tornar a sua vida mais fácil. Então, é necessário que todos tenham um mindset empreendedor, uma cultura empreendedora para criar algo, resolver algum problema. É nisso que o mundo está se delineando, uma cultura que já é muito forte no Vale do Silício [na Califórnia, Estados Unidos, região onde estão situadas várias empresas de alta tecnologia,].

 

EG: O Brasil tem seguido estas tendências?

VN: O país procura seguir essas tendências mundiais, de certa forma. Claro, não dá simplesmente para copiar porque o Brasil é muito diferente dos Estados Unidos, por exemplo. Aqui, cada vez mais, as pessoas têm buscado empreender sem depender de um trabalho fixo, com uma função muito simples ou repetitiva. Empreender é uma atividade complexa que requer mudanças o tempo inteiro.

EG: O Brasil está bem no contexto mundial? Por que?

VN: O Brasil vem desenvolvendo essa cultura empreendedora cada vez mais, mas não é, em certos aspectos, um expoente mundial. Ainda faltam ferramentas, uma estrutura correta para que o empreendedorismo brasileiro se torne referência.

Temos bons empreendedores, nomes respeitados globalmente, porém é pouco se comparado a Israel, por exemplo, que se autointitula startup nation. Está muito longe de países europeus, como Alemanha e Inglaterra, e muito distante da realidade do Vale do Silício – onde empreender é a primeira, segunda e terceira opção para todos.

Estamos evoluindo muito bem nos últimos anos, com certeza. O empreendedorismo vem se tornando uma característica do brasileiro, mas falta difundir melhor as ferramentas; criar um ambiente de maior colaboração. Ainda temos uma cultura de subsistência enraizada.

 

EG: O empreendedorismo no Brasil está preparado para os novos tempos? Por que?

VN: Ainda está se preparando. Acredito que não tão rapidamente como a China, por exemplo, que já se tornou um país empreendedor. O Brasil vai sofrer como todos os países do mundo, como o próprio Estados Unidos, que com a crise parou de gerar empregos como em anos anteriores. No Brasil, acontece a mesma coisa, ainda vivemos uma crise, muita gente está desempregada. Mas estamos avançando, seja por meio das empresas atuais que estão se desenvolvendo, seja pelo aumento do interesse de novos empreendedores.

Portanto, a mudança vai acontecer de alguma forma, de dentro para fora ou de fora para dentro: vão vir chineses, americanos ou latino americanos. Vão vir pessoas de vários lugares do mundo para empreender aqui. Ou nós, brasileiros, iremos criar nossas oportunidades.

Ainda não estamos no nosso modelo ideal, porém estamos melhorando. Bons cases, seja de empresas mais tradicionais – saindo na bolsa, captando investimentos -, seja de empresas de bases tecnológicas como a 99 [aplicativo de transporte individual] e a Nubank [startup brasileira de serviços financeiros], que tiveram boas rodadas de investimento.

 

EG: Você concorda que há mais empreendedorismo de oportunidade e não de talento?

VN: Empreender é algo que pode ser desenvolvido. Mas acredito que é inato do ser humano querer criar algo. Em alguns ambientes isso é mais aflorado, como nos Estados Unidos, em Israel e na China, cada vez mais.

Mas, independente se o empreendedorismo é por talento ou por necessidade, o importante é ter resiliência para continuar. Entender que é importante errar, mas errar barato. Não fazer porque o seu risco é muito alto no começo. Tomar riscos que pode tomar, que são permitidos, que você não pode quebrar logo de cara. Mas às vezes vai ser necessário quebrar. Quebrar uma, duas, três vezes para dar certo. Isso não faz de ninguém melhor ou pior do que um outro empreendedor.

Os grandes empreendedores do mundo empreenderam porque viram que podiam resolver o problema de alguém. Eles não eram empreendedores natos quando eles iniciaram. Ninguém é um grande empreendedor quando começa. Não é o seu talento que vai definir se você vai dar certo ou não. É a sua persistência. É quanto você melhora e aprende mais rápido do que o seu concorrente, o quanto você não se deixa levar pelos erros. Mas como usa os seus erros como uma fonte de inspiração.

 

EG: Como o empreendedorismo pode transformar o mundo?

VN: O empreendedorismo transforma o mundo. Hoje, trazemos a palavra ‘empreendedor’ de forma muito mais recorrente. Mas, lá atrás, Da Vinci, Michelangelo foram empreendedores, né? Empreendiam as suas ideias de forma artística, de forma conceitual, algumas vezes como produtos. Quem descobriu o fogo estava precisando resolver o problema dele de frio, de luz. Então, foi um empreendedor.

As transformações do mundo acontecem pelos empreendedores. O que vai continuar a transformar o mundo é o empreendedor, pessoas que buscam melhoria constante, resolver o seu próprio problema ou o de muitas pessoas.

E é dessa forma que a gente vem transformando o mundo. É dessa forma que consigo estar na Europa, enviar um áudio para o Brasil e participar de uma palestra em Brasília. É porque tem empreendedores querendo transformar o mundo e permitindo que a gente se conecte e faça coisas melhores.


Deixe seu comentário

1 comment

  1. Gustavo Responder

    Muito boa entrevista!!!
    Sucesso a todos!!!!
    Parabéns!!!